sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

[Histórico] "O Segredo dos Tudor", de C. W. Gortner [Topseller]



Autor: C. W. Gortner

Edição: Setembro de 2014

Editora: Topseller [Grupo 20/20]

Páginas: 352

Preço: 20,99€

Género: Romance Histórico

Saiba mais detalhes sobre esta e outras obras AQUI


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   O Segredo dos Tudor é um brilhante romance histórico que nos traça um retrato bastante detalhado e dinâmico da corte do Rei Eduardo VI (filho de Henrique VIII) e do clima de perigo, intriga, traição e lealdade que então se vivia em Inglaterra, decorrendo a acção em 1553, entre Londres e outros locais circundantes.

 O protagonista da trama é Brendon Prescott, um jovem abandonado e acolhido pela poderosa família Dudley, é chamado a assumir as funções de escudeiro de Robert Dudley, em Londres na corte de Eduardo VI, o jovem rei que vive sob o jugo manipulador do seu perverso e astuto conselheiro - João Dudley - Duque de Northumberland - pai de Robert.

 Tendo sido confiado aos cuidados de uma serviçal - a saudosa Dona Alice - Prescott é um jovem culto, tendo desenvolvido o gosto por livros e por novas aprendizagens, embora tenha sido punido por Lady Dudley, a matriarca da família, que nunca escondeu a contrariedade de dar guarida ao jovem órfão.

 Num fascinante retrato da época dos Tudor, iremos assistir ao desenrolar de uma narrativa emotiva, com um excelente ritmo, sendo permanente o suspense e a tensão que agarram  o leitor às páginas do livro, não faltando mistérios, dramas, traições, amores, lealdades que se perdem e que conquistam, e cenas de acção e perigo verdadeiramente arrebatadoras.

  Trata-se de uma época em que tudo se joga, para escolher o sucessor de Eduardo VI, e na corrida para o trono encontram-se pessoas bastante diferentes em termos de personalidade, fé e perspectivas de vida. De um lado, temos Maria Tudor, filha de Catarina de Aragão e de Henrique VIII, criada na fé Católica e defensora do Papa e dos interesses de Roma, que sendo em bom rigor herdeira de uma linha legítima, é amada por uns e detestada por outros, pelo facto de renegar a decisão de seu pai Henrique VIII ao recusar a religião Católica. Maria é uma mulher inteligente, orgulhosa e determinada, mas mostra-se dura e receosa de depositar confiança em que se lhe mostre favorável, pois foi vítima de várias traições e sabe poder ter a sua liberdade e determinação ameaçadas.

   Uma das personagens mais fascinantes do romance, pelo retrato humano que da mesma é traçado, é a Princesa Isabel Tudor (que mais tarde viria a ser rainha de Inglaterra - Isabel I), uma jovem cativante, sedutora embora não seja particularmente bela, deixa marcas em quem a conhece. Corajosa, Isabel arrisca a sua liberdade desafiando os poderosos Dudley, que não hesitam em considerá-la mais um peão no jogo de Xadrez do poder real, e que conspiram para dominar o trono de Inglaterra a seu bel prazer.  Apaixonada por Robert Dudley, ainda assim, não cede totalmente às emoções, deixando que os interesses da Inglaterra se sobreponham aos seus interesses pessoais, encontrará em Prescott um fiel e inesperado aliado num clima de intriga e risco constantes.

 Muitas outras personagens secundárias se movimentam à volta do núcleo mais central de protagonistas, e todas elas desempenham um papel de relevo na economia da narrativa. Desde o jovem Peregrine, um miúdo astuto que se revelará um bom amigo de Prescott, à Duquesa de Suffolk, Lady Jane Grey (filha da Duquesa de Suffolk), Lady Dudley, Guilford Dudley (o filho predilecto de Lady Dudley), Mestre Secretário Cecil, e Kate Stafford (Aia da Princesa Isabel Tudor).

  Com uma linguagem formal, mas acessível, que bem caracteriza a formalidade da época histórica que serve de cenário à acção, C. W. Gortner consegue construir uma fascinante narrativa onde se articulam sabiamente ficção e factos históricos, como se perante os nossos olhos desfilasse um filme de época, e levando os leitores a experienciar cada emoção e a querer desvendar os segredos da peculiar e fascinante família Tudor. 

 O retrato de uma época brilhantemente conseguido pelo autor certamente conquistará muitos adeptos para esta leitura. 

Classificação atribuída no GooReads: 5/5 estrelas








terça-feira, 23 de Setembro de 2014

[Fantástico] "Possessão", de J. R. Ward [Quinta Essência]



Autora: J. R. Ward

Edição: Setembro de 2014

Editora: Quinta Essência [Grupo LeYa]

Páginas: 524

Preço: 17,90€

Género: Fantástico/Paranormal

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Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o blog Os Livros Nossos:


  Possessão, de J. R. Ward, corresponde ao muito aguardado quinto romance da saga dos Anjos Caídos, onde iremos reencontrar algumas personagens já nossas conhecidas, e descobrir a história ou histórias de novos protagonistas de mais este "episódio", desta deliciosa saga do género fantástico da consagrada autora.

  Tendo por cenário a Cidade Norte-Americana de Caldwell, iremos acompanhar o Anjo Caído Jim Heron em mais um momento decisivo na disputa entre as forças do bem (anjos) e do mal (novamente representadas pela ardilosa e atormentada Devina, um demónio que esconde a sua podridão e feeladade sob a capa de uma mulher bela, sexy e sedutora, mas que ironicamente continua a apresentar características bem humanas, como um distúrbio obsessivo-compulsivo que a leva a sessões de psicoterapia; ou o forte desejo e paixão que inegavelmente acalenta por Jim, o seu eterno adversário), e o Anjo Adrian.

   Este quinto romance da série assume-se como um importante marco na narrativa globalmente considerada desde o início da série, na medida em que tudo parece estar em jogo, mais do que nunca, e se é certo que iremos encontrar os habituais novos protagonistas, sendo um deles a alma que Jim deverá salvar (ou não) da perdição, conseguindo assim mais um ponto a seu favor na sua disputa com Devina, denota-se que a autora volta a conferir um acentuado protagonismo a Jim na economia da narrativa neste episódio, porquanto tudo poderá ser posto em causa, muito por força da luta interna que Jim trava consigo mesmo.

Também Devina, uma das nossas personagens preferidas, muito pela ironia que transporta, e pela sua componente de por em evidência alguns retratos da sociedade moderna, apresenta uma nítida evolução psicológica, deixando-se envolver em emoções que, à partida, lhe seriam estranhas, atenta a sua natureza demoníaca e perversa, sendo esta ambiguidade um dos pontos mais interessantes da construção desta personagem.

  Os fortes sentimentos que Jim nutre pela jovem Sissy Barton, a qual fez questão de salvar do inferno onde sofria às mãos de Devina (muito embora a jovem, efectivamente, mude de dimensão e tenha de defrontar-se com essa perda da vida terrena e do contacto com familiares e amigos) poderão redundar numa total mudança de rumo na guerra entre os anjos e o demónio, e a autora consegue manter os leitores em permanente tensão quanto a este aspecto fundamental da trama, o que vem conferir à saga um novo colorido dramático.

   A nova heroína do mundo terreno será Caitlyn Douglass, uma artista e professora educada por pais que veem na religião o cerne da conduta a seguir, encontra-se numa fase da sua vida em que que renova a sua imagem, numa tentativa de alterar também o seu percurso pessoal, encontrando-se a recuperar de um desaire amoroso grave, acaba por se ver envolvida num triângulo amoroso - sentindo-se dividida entre dois homens fascinantes por motivos diferentes, mas que levam a jovem a despertar a sua sensualidade e energia sexual, há algum tempo deixadas de parte. Quem irá Cait escolher para parceiro? : o sensual e carismático cantor G.B., ou o tremendamente intenso e arrebatador Duke Phillips? Será a escolha a mais correcta?

Intenso, tremendamente sensual e escaldante, abrindo novos e inesperados rumos na trama, Possessão  é um romance que revela o quão equilibrada e apelativa se mantém esta deliciosa saga fantástica! Ward volta a dar cartas sem desiludir!

Pontuação atribuída no GR: 5/5 Estrelas

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

[Secção Criminal] "Não digas Nada", de Mary Kubica [Topseller]




  1. Título: Não Digas Nada
Autora: Mary Kubica

Edição: Agosto de 2014

Editora: Topseller [Grupo 20/20]

Páginas: 336

Preço: 18,99€

Género: Thriller/Thriller Psicológico

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   Não Digas Nada, é o romance de estreia da autora Norte-Americana Mary Kubica, a qual, podemos concluir, que inicia uma carreira deveras promissora, tendo sabido criar uma obra de elevada carga e intensidade psicológicas, capaz de prender os leitores às páginas deste livro, de leitura compulsiva e entusiasmante.

   Trata-se de uma história cuja narrativa decorre entre Chicago e uma região remota no Minnesota, estando construída em dois planos narrativos que se vão alternado - antes e depois - sendo o evento de referência de tal separação temporal o rapto de Mia Dennett, a jovem filha de um conceituado Juiz - James Dennet.

  A trama conta ainda com três narradores distintos - respectivamente Eve Dennett, a esposa de James e mãe de Mia e da irmã Grace; o Inspector Gabe Hoffman ( responsável pela condução do processo de investigação atinente ao rapto da jovem Mia) e o raptor Colin Thatcher - estando o epílogo a cargo de um narrador cuja identidade optámos por não desvendar na presente crítica.

 Está bastante bem conseguida a articulação e a dinâmica desta engenhosa estrutura narrativa, que à medida que vai dando ao leitor a descrição dos factos, fá-lo sob três perspectivas naturalmente distintas e permite aceder à caracterização psicológica das várias personagens do romance, bem como aos seus medos, inquietações, sonhos, frustrações, sucessos e insucessos, numa visão bastante crua e num clima em que ninguém parece totalmente inocente, mesmo sob a aparente e publicamente visível capa de perfeição.

   Encontramos um retrato bastante cruel da família Dennett - a mãe Eve uma britânica forçada a trair as suas raizes culturais em prol de uma plena inserção na esfera pública da alta sociedade Norte-Americana com fortes ligações políticas, que irá defrontar-se com os seus próprios fantasmas perante o drama do rapto da filha que poderá estar morta; a irmã mais velha - Grace - uma Advogada bastante competitiva e arrogante que satisfaz os desejos do pai em relação aos planos de futuro arduamente tecidos; o pai , um homem duro, pouco afectuoso, prepotente e arrogante, para quem os afectos perdem protagonismo perante a relevância da imagem pública de perfeição a ostentar; e Mia, uma jovem professora do Ensino especial, desde sempre, com uma forma diferente de encarar o mundo, demarcando-se assumidamente da vivência familiar desejada pela figura paterna, e que é vista como problemática e pouco desejável.

   O raptor, Colin Thatcher traz-nos uma visão de um mundo social totalmente díspar do que é inerente à família Dennett, tendo crescido numa família desestruturada, de baixa condição social, mas sentindo-se responsável e profundamente ligado à mãe, da qual vem sendo cuidador, agora que a mesma se vê vítima de uma enfermidade incapacitante. É talvez a personagem mais misteriosa e interessante de toda a trama e que muito irá surpreender os leitores.

  Todos estes elementos se combinam numa linguagem acessível, fluída, mas intensa e realista, numa obra dura, bastante densa ao nível psicológica, e que acaba por conter uma crítica social implícita, dando-nos um final absolutamente surpreendente.

Uma estreia em cheio para uma nova autora, cuja escrita iremos seguir atentamente, e que constitui uma excelente aposta editorial com o selo de qualidade a que a Topseller já vem habituando os seus leitores.

Recomendamos esta leitura!

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas




quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

[Crítica Contemporânea] "Quando éramos mentirosos", de E. Lockhart [Asa]



Autora: E. Lockhart

Editora: ASA [Grupo LeYa]

Edição: Maio de 2014

Páginas: 312

Género: Romance contemporâneo

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Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   Quando éramos mentirosos, de E. Lockhart [Pseudónimo de Emily Jenkins, autora Norte-Americana a residir em Nova Iorque, detentora de um Doutoramento em Literatura Inglesa] constituiu uma excelente surpresa, tratando-se de um romance contemporâneo que pode ser inserido na categoria de Young Adult, mas que se destaca pela originalidade, pela especificidade, beleza e pelo carácter sui generis da escrita da autora, capaz de nos prender de forma verdadeiramente inebriante às páginas do livro.

   Como cenário central da narrativa vamos encontrar a bela ilha privada de Beechwood, no Massachusets, propriedade da poderosa, abastada e aparentemente perfeita família Sinclair, e o local de eleição para as férias de Verão deste clã.

  Os Sinclair ostentam e alimentam uma imagem pública de classe, beleza, bom gosto e fortuna, mas vamos ter oportunidade de ir desvendando obscuros segredos familiares, ao travarmos conhecimento com a narradora, e participante na trama, a jovem adolescente Cadence Sinclair Eastman, uma jovem inquieta, que evidencia uma nítida perturbação do foro psicológico ou mesmo psiquiátrico, mas que nos transmite o seu olhar sobre a intimidade familiar, convidando-nos a desvendar o que se esconde por detrás das belas mansões familiares e do universo à parte que constitui a Ilha privada da família.

  Logo no início do livro encontramos uma árvore genealógica dos Sinclair, e uma planta da Ilha, que nos facilitam a compreensão da história e o modo como se articula o dinamismo narrativo de todas as personagens. Iremos conhecer o rígido patriarca da família - Harris Sinclair e a esposa Tipper, bem como as suas filhas e sua descendência - Carrie Sinclair [mãe de Johnny e Will]; Bess Sinclair [mãe de Mirren, das gémeas Liberty e Bonnie, e do pequeno Taft], e Penny Sinclair [mãe da protagonista Clarence].

  À família juntar-se-á Gat, um jovem de ascendência Indiana, sobrinho de Ed [negociante de arte e companheiro de Carrie, por sua vez tia de Cadence] um jovem considerado pela família, intimamente, como um outsider de inferior classe social, mas que é acolhido para passar o verão, a partir dos oito anos, tendo perdido recentemente o pai. Gat revelar-se-á um jovem bastante atento, inteligente e culto, e a paixão que surge entre Cadence e Gat irá abalar, de algum modo, a estrutura familiar dos Sinclair, já bastante frágil, uma vez que vivem todos isolados em ridículas disputas pelo poder e pelo "ter", escondendo tudo o que é negativo e evidenciando uma perfeição que é completamente ilusória.

  Num mundo onde impera a dissimulação, a futilidade e a perturbação mental, Gat e Clarence, apesar de jovens, irão conseguir descortinar que muitos dos principios e pressupostos ali vigentes estão, à partida, errados e são bastante limitadores em relação aquilo que é o mundo real cá fora!

  Os mais jovens vão reflectir, inevitavelmente, a instabilidade latente resultante de um mundo de aparências, de casamentos desfeitos, de relações afectivas falhadas desde a origem, e a narrativa divide-se entre o tom intimista, perturbador e perturbante tantas vezes assumido por Clarance, e o clima de mistério que se vai adensando até ao desenlace verdadeiramente genial e inesperado.

   Um livro que se lê de um ápice, que nos fará pensar sobre um certo estilo de vida que, estando aqui centrado na classe alta norte-americana, tantas vezes pode ser transversal a vários outros meios sociais e culturais, onde o poder, a riqueza e o sucesso aparentes escondem, muitas vezes, ocultas fragilidades.

Sublime,sui generis e um verdadeiro must read de indiscutível qualidade literária!

Classificação atribuída do Goodreads 5/5 estrelas.



domingo, 24 de Agosto de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Duas Irmãs e um Duque", de Eloisa James [Quinta Essência]



Autora: Eloisa James

Edição: Agosto de 2014

Editora: Quinta Essência [Grupo LeYa]

Páginas: 368

Género: Romance Histórico /Reconto de História Clássica Infantil [para adultos]

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Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


  Duas Irmãs e um Duque correspondeu à nossa estreia com a autora Eloisa James, e foi uma agradável surpresa descobrir mais uma variante na ficção histórica ou de época, com cenário na Inglaterra do Século XIX, sendo este assumidamente um dos nossos géneros literários de eleição.

  A narrativa tem início em Março de 1812, em Mayfair, Londres, na residência da família Lytton, uma família abastada, aparentada com a aristocracia, mas destituída de título nobiliárquico, e que investiu grande parte dos respectivos recursos financeiros na "Duquesificação" [termo usado pela autora no romance, e que achámos verdadeiramente genial] das duas filhas gémeas  - Olivia e Georgiana Mayfield Lytton.

 As Gémeas, bastante cúmplices entre si, foram criadas com o intuito de serem o exemplo máximo da virtude, educação, contenção emocional  e cumprimento rigoroso dos preceitos sociais bastante rígidos da aristocracia Britânica, sendo ambicionada claramente uma ascensão na escala social.

  Olívia, a irmã mais velha (alguns minutos), está prometida desde tenra idade ao herdeiro do Duque de Canterwick - Rupert Forrest G. Blakemore - um rapaz mais jovem do que Olívia e que apresenta uma perturbação ao nível intelectual, pese embora seja uma alma sensível e doce, porém, muito simples e incapaz de raciocínios mais elaborados. O pai de Olívia foi colega de estudos e é amigo do Duque de Canterwick, e ambos fizeram um pacto de fazer casar um das filhas de Mr. Lytton com o herdeiro do Duque.

   Georgiana, a irmã mais nova, receberá um dote, após o casamento da irmã, que lhe permitirá, posteriormente ser elegível para ascender também na escala social, contraindo matrimónio.

  As duas irmãs são o oposto uma da outra. Olívia, a futura Duquesa, é divertida, pouco dada a cumprir à risca as apertadas regras sociais que a mãe ensinou, assumindo uma postura mais informal (excessivamente para os preceitos da época), expressando emoções, e preferindo brincar com rimas , trocadilhos e poemas alguns até algo brejeiros, sendo bastante sarcástica e crítica em relação à aristocracia sua contemporânea, o que causa desgosto à sua severa e ambiciosa mãe. A mãe da jovem chega mesmo a criticar a figura mais rendonda da mesma, levando a filha a sentir-se por vezes desanimada e com a auto-estima algo abalada pelo facto de ter curvas e  a sua estrutura corporal não ser considerada a mais desejada para os padrões da época, que evidenciavam a extrema magreza com ideal de beleza para as damas da alta sociedade. Olivia é dona de uma personalidade bem vincada e é bastante efusiva e brincalhona.

   Por sua vez, Georgiana Lytton, é, ironicamente, uma jovem que apresenta a personalidade contida em público, e interiorizou na perfeição os ensinamentos dados pela mãe, estando, de longe, mais apta a assumir a posição de Duquesa, por comparação com a mais extravagante irmã. Também a figura da jovem, em termos físicos, é consentânea com o ideal de beleza defendido. 

  As jovens são cúmplices, trocam confidências e desabafos entre si, e têm uma boa relação, apesar de todas as diferenças que as caracterizam.

  Subitamente, o prometido de Olivia decide partir para a Guerra com a França, para alcançar honra militar antes de que ambos se casem, o que vem adiar ou até mesmo, quem sabe, deitar por terra os planos de casamento e a "Duquesificação" de Olivia, pois existe o sério risco de Rupert não sobreviver.

  Georgiana é convidada para passar alguns dias em Littlebourne, em Kent, a residência do viúvo Duque de Sconce - Tarquin Brook-Chatfield -  onde será submetida a alguns testes de conduta social, para aferir da sua elegibilidade para ser a segunda esposa do Duque, tendo de passar pelo apertado crivo da avaliação dura de Amaryllis - a mãe do Duque. Assim, Georgiana parte para a residência do Duque de Sconce, na companhia da irmã Olivia, e de uma tia do Duque - Lady Cecilia.

   E estão lançados os dados para uma série de deliciosos diálogos, entre os convivas, o Duque e as duas irmãs. 

Quin - Duque de Sconce, é um homem marcado pelo passado, por alguns eventos trágicos, e pela crença errada, incutida pela mãe, de que o amor é algo negativo e destrutivo. É contido, rígido, mas irá evoluir e mostrar o carácter apaixonado e reconciliar-se com o passado e consigo próprio.

  Uma personagem também habilmente construída é Rupert, o herdeiro do Duque de Canterwick, que vai surpreender os leitores, e que é inspirada numa fascinante personagem do cinema contemporâneo.

  O ritmo narrativo, inicialmente algo mais rotineiro, quando a acção decorre na residência da família Lytton, começa a acelerar quando o cenário social e espacial muda para a residência de Quin - Duque de Sconce.

  Uma das características mais bem conseguidas, originais e especiais deste romance são as inúmeras graças, trocadilhos e poemas, com tiradas verdadeiramente hilariantes, muitas vezes da parte de Olivia, secundada por um primo do Duque - Justin - filho de mãe Francesa, também ele mais exuberante socialmente. Estes trocadilhos, segundos sentidos e humor evidente, redundam também, quase sempre, numa mordaz crítica social aos maneirismos da época, à excessiva rigidez, e à frieza e hipocrisia que caracterizavam a vivência das classes mais altas da sociedade, onde o parecer deveria muitas vezes suplantar o ser, em nome de uma apregoada dignidade que era mesmo artificialmente construída. E aqui o livro pode sempre ter duas leituras, o humor que nos diverte, e o foco na crítica social que nos faz pensar criticamente.

 As personagens estão muito bem elaboradas, são densas ao nível psicológico, e é evidente a arte de Eloisa James ao brincar com as palavras, e o quão bem a autora se sai deste desafio literário.

  A história corresponde a um reconto do clássico conto de Hans Christian Andersen "A Princesa e a Ervilha", mas existem inúmeras outras inspirações literárias, cuja explicitação a autora resume numa nota final que adicionou ao romance, e que mais ainda nos faz aumentar a admiração pelo trabalho desenvolvido.

  Também não ficam de fora momentos de tensão, aventura e perigo, e um muito inesperado twist final.

  Uma brilhante mistura de humor, amor, sensualidade, sátira social, cultura literária clássica ( a servir de mote e inspiração) e cultura cinematográfica contemporânea (a inspirar uma personagem em especial) mas respeitando sempre os detalhes históricos do tempo da narrativa.

 Estamos perante uma leitura agradável, divertida e inteligente! Mais uma autora de excelência, e que sabe conferir um estilo muito pessoal à sua escrita.


Classificação atribuída no Goodreads: 4/5 estrelas





sábado, 23 de Agosto de 2014

[Crítica] "Na pele de Meryl Streep", de Mia March [Bertrand Editora]



Autora: Mia March

Edição: Agosto de 2014

Editora: Bertrand Editora

Páginas: 344

Género: Romance Contemporâneo

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

Na pele de Meryl Streep, da autora Norte-Americana Mia March é um romance contemporâneo bastante emotivo e com elevada tensão dramática.

A narrativa tem início com um prólogo que constitui o respectivo ponto de partida, descrevendo um episódio sucedido na passagem de ano de há 15 anos atrás, que marcou o percurso de vida das protagonistas. Seguidamente, cada uma das personagens principais vai-nos sendo apresentanda, em capítulos alternados, sendo que toda a acção é narrada de acordo com esta estrutura, em que cada capítulo contém o foco apontado em especial a uma das protagonistas. Note-se que, este tipo de estrutura narrativa, além de captar a atenção e interesse do leitor, permite conferir um excelente grau de profundidade na caracterização das personagens.

As personagens principais são: as irmãs Isabel e June Nash, e a prima de ambas, e filha de Lolly Weller - Kat Weller.

Lolly Weller, respectivamente tia e mãe das três raparigas, desempenhará a importante função de personagem  âncora, que promoverá o reencontro deste grupo familiar, na Pousada  no Maine onde cresceram juntas, sem se terem então tornado muito próximas.

Neste reencontro familiar, assistimos ao nascimento de uma cumplicidade e de laços afectivos sólidos, que até ai não se haviam manifestado, e há lugar à partilha de histórias de vida, dramas, reflexões e dúvidas.

Isabel vem de um casamento destruído, pela rotina, pela anulação da sua própria identidade, em prol da relação, e pela recente infidelidade do marido Edward, sentindo ter desperdiçado dez anos da sua vida num projecto familiar que, nitidamente, falhou.

June, mãe solteira, aluna brilhante que deixou para trás o sonho de prosseguir os seus estudos universitários, encontra a sua razão de viver no pequeno Charlie, o seu alegre e ternurento filho de sete anos. Mas luta contra a mágoa de desconhecer o paradeiro do pai do menino, questionando-se quanto às razões pelas quais o mesmo desapareceu da sua vida, e prometendo à criança dar-lhe a conhecer o progenitor. Entretanto, tornou-se gerente de uma livraria, sendo verdadeiramente apaixonada pelo seu trabalho, e tendo encontrado nos patrões um excelente apoio e uma boa amizade.

Kat, filha de Lolly,  é uma jovem e inspirada profissional de pastelaria, mas vive um conflito interior que está relacionado com a  construção da sua identidade. Kat sente-se dividida entre ficar a residir na terra natal e casar-se com o seu melhor amigo de Infância, o sensível Oliver; ou partir à descoberta de novas oportunidades, novas experiências pessoais e aprimorar com grandes mestres a sua arte culinária.

Um detalhe que muito enriquece a narrativa, e confere ao romance uma especial graciosidade, é o facto de as protagonistas se reunirem semanalmente para uma sessão de cinema na Pousada. Revisitam a carreira cinematográfica de Meryl Streep, tecendo comparações entre a vida real e as vivências das diversas personagens da actriz no grande ecran, extraindo fascinantes e pertinentes reflexões acerca da vida, das decisões e escolhas que se fazem e das consequências da conduta humana.

A linguagem é bastante cuidada, porém acessível, e o romance contém parágrafos que nos fazem parar e pensar um pouco acerca de nós próprios e da nossa história de vida, convidando a uma salutar retrospecção.

Se inicialmente julgámos apenas ir encontrar uma história ligeira, a verdade é que encontramos bem mais do que isso. Trata-se de uma leitura de rara beleza e profundidade emocional e psicológica.

Recomendamos a quem goste de atentar em questões como:  os obstáculos inesperados que surgem na vida e a forma mais ou menos resiliente como decidimos enfrentá-los e a extrema relevância da vivência do mundo dos afectos, da amizade e da solidariedade, enquanto motores de uma existência plena de significado.

Surpreendente, sensível, elegante e emotivo.

Mia March é uma jovem autora cuja carreira promissora iremos acompanhar, e está de parabéns!

Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 estrelas



terça-feira, 19 de Agosto de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Sedução Perigosa", de Jess Michaels [Quinta Essência]



Autora: Jess Michaels

Edição: Maio de 2014


Páginas: 248

Género: Romance histórico Sensual/erótico


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


   Sedução Perigosa, de Jess Michaels, é um romance de fundo histórico, cuja acção decorre em Londres em 1919, e que faz parte integrante de uma série denominada "Irmãs Albright", embora possa ser lido em separado, apenas existindo referências a um casal já constituído em livro anterior da série.

  Jess Michaels traz-nos como protagonista Penelope Norman, uma jovem viúva magoada por um casamento por obrigação  e sem amor e que bastante a traumatizou [como era habitual na época histórica em apreço, devido a motivos económicos ou de ascensão na categorial social]. Contida, algo tímida e sem orientação familiar válida, sendo filha da antipática e interesseira Dorthea Albright [Viúva de Thomas Albright], a jovem ver-se-á, de modo algo inadvertido, elevada à categoria de defensora pública da moralidade entre as classes mais altas, uma vez que rejeita em absoluto a libertinagem assumida pelos nobres casados, que ostentam muitas vezes uma sexualidade pouco regrada, desrespeitando as esposas, e mantendo relações extra- conjugais.

  Na medida em que a sua atitude de defesa da moralidade é vista como ameaçadora da submissão desejada pelas famílias de ilustres nobres com tendências libertinas, num clube masculino de Londres, surge um arriscado plano conspiratório que poderá deitar por terra a honra e dignidade de Penelope Norman, pois o atrevido e sedutor Jeremy Vaughn, Duque de Kilgrath, é seleccionado para seduzir e comprometer a dama, de modo a que esta deixe de constituir um obstáculo à conduta licenciosa dos nobres.

   Jeremy aproxima-se da jovem e fá-la crer que pretende mudar a sua conduta habitual de libertino, mas acaba por a iludir de forma contraditória, mostrando-lhe os caminhos da sensualidade e da libertação sexual, que até ali eram encarada pela jovem como algo apenas perverso, errado e condenável perante as rígidas regras da moral vigente em termos públicos.

   Penelope, vai quebrando as defesas, e começa a descobrir em si mesma desejos, sensações e anseios que, até então, recusara a si mesma, e julgara mesmo ser impossível sentir, mas enfrenta uma dura luta interior ao nível psicológico, pois tem dificuldade em conjugar esta descoberta dos sentidos como algo natural e humano, com o seu entendimento bastante rígido dos princípios morais que defende publicamente.

   Gradualmente, Jeremy leva Penelope a visitar locais onde o prazer reina, e assume o papel de um fogoso amante secreto que visita a jovem durante a noite, levando-a a testar os seus limites, com o intuito de a dominar e chantagear ou controlar, a pedido do seu grupo de amigos libertinos.

 Penelope vive dividida entre o prazer físico e sensual que experimenta na presença do seu amante secreto, e o sofrimento psicológico que a dualidade que sente entre o modo como age, e os princípios que defende lhe causará.

 Jeremy, por sua vez, começa a sentir-se incomodado com o desenlace do plano por si concebido, e receia que Penelope esteja a despertar em si emoções que julgava impossível sentir, mas como irá sanar este conflito entre a amizade e lealdade masculinas, e uma proximidade e intimidade com uma mulher que já parecem ir bem além de um jogo de sedução encomendado com intenções obscuras?

 Num ritmo narrativo bastante acertado para a dimensão do romance, com uma linguagem bastante acessível, que não descura o meio social elevado e a época histórica em que a narrativa decorre, a autora consegue manter um clima de conspiração que apenas se resolve no final da trama, prendendo as leitoras à história.

 O romance contém diversas cenas de cariz explícito ao nível sexual, descritas com a sensibilidade, a ousadia e o detalhe a que autora já nos habituou, afirmando-se, de facto, como um dos nomes de relevo neste género literário bastante específico.

Conspiração, tensão, sensualidade ardente e uma heroína e um herói interessantes, que transportam consigo uma história pessoal, e que lutam por ultrapassar conflitos interiores,  estas são apenas algumas das razões que tornam este romance uma excelente escolha de leitura.

Recomendamos!

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas








sábado, 16 de Agosto de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Entrega-te ao Amor", de J. C. Reed [Presença]



Autora: J. C. Reed

Editora: Editorial Presença

Edição: Agosto de 2014

Páginas: 256

Género: Romance contemporâneo/erótico

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


   Entrega-te ao Amor, de J. C. Reed é um romance contemporâneo do género erótico.

   A linguagem é ligeira, acessível  e bastante coloquial, e o ritmo narrativo é bastante dinâmico, dando ao leitor a ideia de  estar a acompanhar, enquanto espectador privilegiado, a rotina quotidiana das personagens, de forma bastante descontraída.

  Os protagonistas deste romance são, respectivamente: a jovem Brooke Stewart, recém licenciada, a residir em Nova Iorque, e a trabalhar no sector imobiliário, partilhando residência com a sua melhor amiga Sylvie - uma rapariga de elevada condição social, a melhor aluna da turma nos tempos de estudante, e viciada em trabalho na área financeira, sendo também adepta de saídas nocturnas regadas a álcool.

   Brooke é determinada, trabalhadora e bastante teimosa, e traz consigo uma história familiar cujo conteúdo traumático leva a que se sinta resistente em relação a assumir compromissos sérios ao nível amoroso, estando envolvida numa relação aberta, mas acabando por, secretamente, acalentar a secreta esperança de ter finalmente encontrado Mr. Right.

  Jett Mayfield é um homem de negócios na casa dos trinta, belo, sexy, incrivelmente sedutor, irá tornar-se no novo patrão de Brooke, pela qual irá sentir uma inegável atracção física, em que irá ser correspondido,ainda que a medo. 

  Ambos irão ver-se enredados num relacionamento que alcançará um entendimento ao nível sexual, ambos assumindo que as emoções serão alheias a tal contexto. Mas as evidências apontam em sentido contrário, pois quando os dois protagonistas estão juntos, é quase visível a energia e a tensão sexuais que emanam dos seus corpos e que torna quase impossível, ou pelo menos muito difícil, que consigam concentrar-se no trabalho, na empresa imobiliária de renome pertencente à  poderosa família de Jett.

  O livro contém cenas de cariz sexual com descrições explícitas, mas mostrando-se devidamente contextualizadas, e que levam a que os leitores, inevitavelmente, torçam pelo sucesso de uma relação romântica em moldes mais tradicionais.

  Também Jett carrega sobre si mesmo o peso de um passado nem sempre fácil ao nível familiar, e que alguma forma condiciona alguma cautela e contenção emocional, cujas barreiras podem ser quebradas por Brooke.

   Sem dúvida, apesar de não ser muito extenso, é nítido o cuidado da autora em conferir às personagens alguma densidade ao nível psicológico, o que enriquece a narrativa.

   Nota máxima para os cenários onde decorre a história, que vão da agitada Nova Iorque, à belíssima mansão nas margens do Lago Como, em Itália, na região de Milão.

   Uma boa aposta da autora foi a inclusão de um componente de algum suspense, que leva o leitor a levantar inúmeras hipóteses acerca de que mistérios se escondem por detrás de arriscados negócios imobiliários.

   No terço final da trama, somos brindados com um twist surpreendente, e quando chegamos ao final da leitura, desejamos ter logo ali à mão os livros seguintes da série.  Uma boa aposta da Editorial Presença. seguindo as tendências actuais do mercado nacional.

  Uma excelente leitura para levarmos para a praia em tempo de férias, e mais uma autora cujo trabalho iremos seguir atentamente.

Classificação Atribuída o GoodReads: 4/5 Estrelas.