segunda-feira, 27 de abril de 2015

[Fantástico - Juvenil] A Escola do Bem e do Mal [Individual Editora]


Ficha Técnica:

Título: A Escola do Bem e do Mal

Autor: Soman Chainani

Editora: Individual Editora

Chancela: Lápis Azul

Edição: Novembro de 2014

Páginas: 512

P.V.P.: 17,90

Capa: Cartonada/hardcover

Idade recomendada: + 9 anos

Género: Fantasia

Classificação GR atribuída pelo Blog: 4/5 estrelas


Crítica para o blog Os Livros Nossos por: Isabel Alexandra Almeida


   A Escola do Bem e do Mal, de Soman Chainani, editado em Portugal pela Individual Editora é o primeiro volume de uma trilogia do género Fantástico, tendo por público alvo crianças e jovens com idade superior a nove anos de idade.

   As protagonistas da história são Sofia e Agatha, duas amigas que vivem em Gavaldon, uma localidade no meio de uma floresta. Nesta localidade, de quatro em quatro anos, e há cerca de duzentos anos, são misteriosamente raptadas duas crianças com idade superior a 12 anos, dizendo-se que são levadas para a misteriosa Escola do Bem e do Mal, onde jovens comuns são treinados para serem bons ou maus, em contos de fadas que irão viver.

   Sofia é bonita, gosta de se cuidar, sendo algo obcecada com a beleza, adora cor de rosa e pensa reunir todas as características para entrar na Escola do bem, onde crê ir encontrar um príncipe que fará dela uma princesa com pleno direito a um final feliz, um pouco à imagem dos contos de fadas que lê em cuja concretização acredita. Sofia vive com o pai, sendo órfã de mãe e, ao contrário dos restantes habitantes locais, deseja ser levada para  Escola, deixando para trás a sua vida comum.

   Num nítido contraste, a melhor amiga de Sofia é Agatha, uma jovem que se veste de preto, com aspecto físico pouco cuidado,  vive com a mãe e o seu gato num cemitério, não acredita no amor nem nos contos de fadas, que não passam de ficção, e que muitos julgam ser bruxa, incluindo a sua própria mãe, que a crê destinada a ser uma vilã de conto de fadas, após estudar na Escola do Mal. 

   Apesar das medidas de prevenção tomadas pelos habitantes de Gavelton, as duas amigas são raptadas pela sinistra criatura que todos conhecem por reitor e, para grande espanto de ambas, parece ter havido algo de muito errado no cumprimento deste ritual, pois, Sofia é enviada para a Escola do Mal e Agatha para a Escola do Bem.

   Nas respectivas escolas as amigas irão ver-se a braços com a descoberta das suas identidades, muitas surpresas as aguardam, e há imensos segredos para revelar.

      A narrativa mostra-se escrita, também ela, seguindo muitas das regras dos contos de fadas tradicionais, pois o espaço e o tempo onde decorre a acção são indefinidos, e existem várias referências à simbologia própria deste tipo de histórias que tem atravessado gerações. Mas parece-nos brilhante a forma o autor, a pouco e pouco, nos vai levando a subverter alguns estereótipos, chamando a atenção, com algum humor e ironia, de que nem tudo é linear como por vezes parece, ou seja, serão as fronteiras que separam o bem do mal assim tão nítidas como, à partida, se poderia pensar que fossem? É a grande questão que atravessa transversalmente toda a trama.

   A criatividade do autor fica bem patente nos ricos detalhes com que é descrito um mundo mágico que corresponde às duas alas da Escola, a ala do bem e a ala do Mal. As descrições mostram-se feitas de forma tão perfeita, que nos é fácil ver as imagens mentais dos espaços e acontecimentos a desfilarem perante os nossos olhos, como se estivéssemos a ver um filme.

   Além de Sofia e de Agatha surgem diversas personagens que captam a atenção e a empatia dos leitores. Na escola do bem iremos encontrar Tredos, um príncipe filho do Rei Artur da Távola Redonda, que irá desempenhar um papel de relevo no avanço da narrativa. Na escola do mal, o destaque vai para as alunas Dot, Hester e Anadil, três bruxas que serão colegas de quarto de Sofia na Escola do Mal.

   Também os professores são personagens bastante bem caracterizadas, embora algo enigmáticas, e que acabam por assumir a competição entre as duas facções, em especial, há momentos de bastante tensão e humor entre Lady Lesso, professora de "Maldições e Armadilhas Mortais" na Escola de Mal e Clarissa Dovey, professora de "Boas Acções" na Escola do Bem.

   Embora a narrativa se assuma como adequada a um público alvo infantil, com idade superior a nove anos, cabe referir que a história contém momentos pautados por alguma violência, mas é também esse factor, somado a interpretações e reflexões que podem surgir da parte de leitores adultos, e que apontam para um visão mais metafórica que faz alargar substancialmente o leque de leitores potencialmente interessados na sua leitura.

   Criativo, vibrante e viciante, este é, sem dúvida, um mundo que queremos continuar a espreitar bem de perto!

terça-feira, 14 de abril de 2015

[Fantástico] "Raven - Noites de Florença", de Sylvain Reynard [Saída de Emergência]


Ficha Técnica:

Título: Raven - Noites de Florença

Autor: Sylvain Reynard

Editora: Saída de Emergência

Chancela: Chá das Cinco

1ª Edição: 08/04/2015

Páginas: 478

P.V.P.: 17,76€

Género: Romance Fantástico/paranormal

Classificação GR atribuída pelo Blog: 5/5 estrelas

Crítica para o Blog Os Livros Nossos por: Isabel Alexandra Almeida


   Raven - Noites de Florença, do autor Sylvain Reynard é um romance de cariz fantástico, que corresponde a um muito bem conseguido spin off da série " O Inferno de Gabriel", também editada em Portugal pela chancela Chá das Cinco das Edições Saída de Emergência.

   O roubo de importantes ilustrações de Boticelli, propriedade do Professor Gabriel Emerson e da esposa Julianne, que se encontravam em exposição na Galeria Uffizi, no coração da Cidade de Florença, faz incidir o foco das atenções na jovem Raven Wood, uma conservadora de arte que, em simultâneo com o facto de ver recair sobre si fortes suspeitas de prática de um crime, entra inadvertidamente em contacto com o submundo da cidade de Florença, governado pelo atraente e devastadoramente sexy e misterioso William York, o príncipe de Florença.

   Raven assiste a mudanças em si mesma que jamais suspeitaria possíveis, e vê em risco a sua segurança e a permanência em Florença, onde sente ser a sua zona de conforto, perante o peso de demónios do passado, na sua terra Natal nos Estados Unidos. Portadora de uma deficiência física, sonha, sem grande esperança, ser bem sucedida em termos afectivos. 

   Caberá a Raven redescobrir a sua identidade e o seu valor enquanto pessoa, fazendo um percurso pessoal e afectivo que ponham em evidência que as imperfeições e as vulnerabilidades são inerentes à condição humana, e num rasgo de ironia, afectam também seres com poderes sobrenaturais, como os vampiros que habitam o submundo de Florença.

   Curiosamente, William York, o Príncipe de Florença, é um ser com poderes sobrenaturais, e que se julga incapaz de amar, muito embora revele especiais aptidões ao nível sensual e sexual. Sentindo a ameaça sempre premente sobre o seu mundo, tendo de lutar contra poderosos inimigos, e receando, a todo o momento, ver-se traído pelo seu círculo mais próximo (o Consilium,  que integra seis membros, a que se soma o Príncipe, e que reveste a natureza de um conselho governativo do Principado de Florença).

   Também o poderoso Príncipe transporta consigo uma história pessoal algo traumática que, inevitavelmente, afecta o modo como se relaciona e se move no decurso da sua vida em termos sobrenaturais.

   Com efeito, uma das mensagens mais importantes deste romance é que a imperfeição, os medos, as dificuldades e a capacidade de resiliência perante as adversidades acabam por ser tão transversais a toda a humanidade que, num rasgo de sábia ironia, o autor prova que tal circunstancialismo pode também ser transversal ao submundo, onde dada a existência de poderes sobrenaturais, poder-se-ia dar como adquirida a mais absoluta perfeição e o auto-conhecimento.

   Um romance absolutamente fascinante, pelo belíssimo cenário da Cidade de Florença, que desfila perante os olhos do leitor em cada detalhe encantador; pelas personagens fortes, bastante densas psicologicamente e sui generis nas respectivas imperfeições, e pela narrativa muito bem estruturada e imensamente rica em apontamentos culturais e históricos.

 As alusões a diversos aspectos históricos, em especial, ao Renascimento Italiano e ao seu relevante contributo para a história da arte acabam por ser o complemento ideal para afastar a obra de uma visão estereotipada, conferindo-lhe um factor de distinção, sem retirar a natureza sobrenatural e uns elegantes laivos de sensualidade e romantismo. 

Brilhante e a revisitar na estante!

Aviso: a leitura deste livro é passível de causar sintomas de ressaca literária!




terça-feira, 7 de abril de 2015

[Histórico] " A Herança Bolena", de Philippa Gregory [Planeta]


Ficha Técnica:

Título: A Herança Bolena

Autora: Philippa Gregory

Série: Os Tudor

Editora: Planeta

Edição: Março de 2015

Páginas: 472

P.V.P.: 19,95€

Género: Romance Histórico

Classificação GR atribuída pelo blog: 5/5 estrelas

Crítica para o Blog Os Livros Nossos por: Isabel Alexandra Almeida


   A Herança Bolena, de Philippa Gregory, é um soberbo romance histórico tendo como pano de fundo a vivência no clima de intriga, sensualidade, traição e intricados jogos de poder e política bem presentes na corte de Henrique VIII de Inglaterra, em plena época Tudor.

   Este romance surte perante os olhos do leitor escrito numa perspectiva assumidamente feminina e intimista, e no decurso da leitura vamos assistindo à construção da teia narrativa pela lente de três protagonistas femininas, que assumem também o papel de narradoras participantes.

   Joana Bolena, Viscondessa Rochford, é uma mulher determinada, inteligente e astuta, mas que transporta no seu íntimo o peso de ter desempenhado um papel de relevo na condenação à morte do marido - Jorge Bolena - e da cunhada - Ana Bolena - ambos eliminados por decisão do Rei Henrique VIII. Joana é uma personagem ambígua, permanentemente dividida entre aquilo que sente seria uma conduta adequada e correcta em termos morais e humanos, e as condições que, por vezes, se vê forçada a aceitar em prol da sua própria sobrevivência, ainda que tal implique trair os que estima e ama. Numa sociedade onde os homens de poder tudo controlam e onde as mulheres se vêem forçadas  pelo contexto envolvente a trair família, amigos e aqueles a quem deveriam servir lealmente, Joana acaba por se revelar um peão de peso no xadrez sabia e perversamente planeado pelo seu poderoso tio - Tomás Howard - Duque de Norfolk.

   O Duque de Norfolk assume-se como um dos vilões da trama, é um homem sem escrúpulos, habituado a usar as mulheres da sua família como meros instrumentos para atingir os seus fins de ascensão social e política, sendo próximo do instável e perturbado Henrique VIII.

   Outra protagonista feminina é Catarina Howard, de apenas 14 anos, sobrinha do poderoso Duque de Norfolk, é por este encaminhada para a corte, onde deverá servir como Aia a rainha Ana de Clèves, sendo mais tarde orientada para seduzir o velho rei e tornar-se rainha. Catarina é uma jovem imatura e ambiciosa, mas não muito inteligente. É fútil, licenciosa e vaidosa, tendo mantido relações amorosas ilícitas em casa de sua avó - a Duquesa de Norfolk, a qual não deu à neta uma educação cuidada. Sonha em ascender socialmente e vai sempre avaliando o seu aspecto físico e  os bens que vai adquirindo, nomeadamente, vestidos novos ou jóias. Irá atrair as atenções do Rei Henrique VIII, que fica fascinado com a sua beleza e graciosidade, mas surge uma forte atracção entre Catarina e Thomas Culpepper que poderá deitar a perder os planos de ascensão social da jovem.

  Ana de Cléves, filha do Duque de Cléves, é enviada para contrair matrimónio com Henrique VIII de Inglaterra, de modo a reforçar uma aliança política inicialmente vista como vantajosa para ambas as partes, porém, o casamento revela difícil de consumar, e acabará por chegar a um fim antecipado, sendo-lhe conferido o estatuto de irmã do Rei. Ana é uma jovem doce, bondosa e sofredora. Inicialmente, vê o casamento como uma possível libertação do jugo maldoso do irmão sobre si, mas cedo percebe que a corte Inglesa dos Tudor é um local inóspito, e onde corre risco permanente de cair em desgraça perante o Rei e ser condenada à morte. Vive momentos de puro terror, com receio pela própria vida, mas torna-se amiga leal da enteada Maria, sendo também próxima da enteada Isabel.

  Henrique VIII é um homem perturbado ao nível mental, nega estar envelhecido e ter perdido a beleza e a força da juventude. É instável nos relacionamentos amorosos, imaturo,  facilmente manipulado pelos seus homens de confiança, e capaz de actos extremos de generosidade e crueldade. Da leitura do livro, ficamos na dúvida se estamos perante um vilão, ou se não será também, de algum modo, vítima de circunstâncias que o rodeiam e de uma corte que fervilha de interesses ocultos, traição e intriga política e palaciana.

   A acção decorre entre Julho de 1539 e Janeiro de 1547, no século XVI e denota ter por base uma detalhada e rigorosa pesquisa histórica que muito enriquece o trabalho da autora.

  A linguagem mais e menos formal, os cenários variados, os trajes e rituais e toda a  descrição da vida na corte mostram-se feitos de uma forma que nos transmite uma imagem visual bastante rica. As personagens mostram-se muitíssimo bem construídas e acedemos facilmente ao seu mundo interno ( em termos psicológicos). 

  A nosso ver, a leitura deste romance suscita-nos também reflexões importantes acerca da condição feminina nesta época e contexto históricos. Um fascinante retrato de uma época histórica bastante conturbada.





quinta-feira, 19 de março de 2015

[New Adult]"Uma semana para te amar", de Monica Murphy [Topseller]



Ficha Técnica:


Título: Uma Semana para te Amar

Autora: Monica Murphy

Editora: Topseller [Grupo 20/20]

Edição: Setembro de 2014

Páginas: 208

Género: Romance/New Adult

Classificação GR atribuída pelo blog: 5/5 estrelas.




Crítica para o blog Os Livros Nossos por Isabel Alexandra Almeida:

Uma Semana para te Amar é um delicioso, sensível e intenso romance New Adult que prende a atenção do leitor desde a primeira  à última página, num crescendo de suspense em relação aos fantasmas do passado que, ostensivamente atormentam o protagonista masculino.

As personagens centrais da trama são dois jovens adultos - o rico e atraente Drew Callahan, um rapaz que tem todas as condições para ser bem sucedido nos vários níveis de vivência humana, mas que, estranhamente, precisa de contratar Fable Maguire para assumir, ficticiamente, o papel de sua namorada, numas breves férias de uma semana na casa paterna de Drew, onde o aguardam o pai e a madrasta.

   Ao longo da narrativa, vamos notando que a adolescência de Drew não foi fácil, pese embora este pertença a uma elevada classe social. Contido emocionalmente e , aparentemente, incapaz de se entregar afectiva e fisicamente, bom aluno e excelente desportista na Universidade que frequenta, Drew irá precisar de toda a ajuda de Fable, na farsa que construiu para convencer o pai e a madrasta de que leva uma vida normal para um jovem da sua idade, tendo ultrapassado traumas que iremos desvendar no decurso da leitura do romance.

   Por sua vez, Fable é uma rapariga atraente, trabalhadora e sensível, que não contando na sua vida com a figura paterna de referência e vivendo com uma mãe alcóolica, instável em termos de relacionamentos afectivos e negligente,  assume o papel de mãe do seu irmão mais novo[Owen].

 Fable foi, no fundo, forçada pelas circunstâncias do contexto onde nasceu, a crescer à força, e sonha com uma vida estável para si mesma e para o irmão. Sempre em busca de amor, que nunca encontrou no pai e na mãe, acaba por se envolver em relações amorosas precipitadas e casuais que contribuem para lhe atribuir uma reputação algo duvidosa, muito embora a jovem seja até algo ingénua e pouco previdente, e procure fugir ao vazio emocional que a persegue.
   O destino irá fazer com o caminho de ambos os jovens se cruze, e embora estes sejam bastante diferentes, acabam por ter em comum alguma disfuncionalidade ao nível familiar, que contribuiu para alguma dificuldade em construírem  correctamente a respectiva identidade.

   A narração da história cabe, alternadamente, a cada um dos protagonistas, na primeira pessoa, o que mais contribui para facilmente empatizarmos com as personagens e os seus problemas e vitórias. Numa escrita fácil, mas imbuída de forte sensibilidade e intensidade psicológica, Monica Murphy surpreende pela positiva por criar personagens realistas, com defeitos e virtudes, e muitíssimo densas psicologicamente.

  Uma série para jovens adultos, que os adultos mais velhos irão igualmente apreciar e acompanhar. Um livro que atingiu e mesmo superou as nossas expectativas. Recomendamos.




segunda-feira, 9 de março de 2015

[Renda & Saltos Altos] "Coração Selvagem", de Elizabeth Hoyt [Quinta Essência]



Ficha Técnica:


Título: Coração Selvagem

Autora: Elizabeth Hoyt

Colecção: A Lenda dos quatro soldados - Volume 4

Editora: Quinta Essência [Grupo Leya]

Edição: Fevereiro de 2015

Páginas: 360

Género: Romance histórico/sensual

Classificação GR atribuída pelo Blog: 5/5 estrelas




Crítica para o blog Os Livros Nossos por Isabel Alexandra Almeida:


   Coração Selvagem é um romance histórico com um toque de sensualidade que faz parte integrante e põe fim à série "A Lenda dos Quatro Soldados", da autoria de Elizabeth Hoyt.

   A acção decorre em Inglaterra no Século XIX, tendo início em Outubro de 1765 em Londres.

   As personagens centrais são, respectivamente, Beatrice Corning, a romântica, doce e sonhadora sobrinha do actual Conde de Blanchard e Reynaud St. Aubyn, o filho do falecido Conde Blanchard, que regressa após sete anos durante os quais esteve prisioneiro de Índios, e que toda a gente julgara morto.

   Reynaud reaparece parecendo alienado mentalmente, revela ser um homem marcado por traumas decorrentes do profundo sofrimento que vivenciou durante os sete longos anos em que se viu forçado a sobreviver na qualidade de prisioneiro, demasiado brusco, impulsivo e até violento, encontrará em Beatrice alguém que consegue compreendê-lo para lá da máscara que criou para se adaptar a um meio cruel, adverso e de onde considerou poder até perder a vida.

   Por sua vez, Beatrice sente-se atraída por Reynaud, mas não consegue evitar ter consciência de que tal a coloca na ingrata situação de se sentir dividida entre a paixão pelo homem que, no fundo, há muito povoava o seu imaginário romântico (devido a um quadro existente na mansão) e o dever de lealdade e o terno amor familiar que nutre pelo tio Reggie, um parente afastado de Reynaud que assumiu o título, a fortuna e o lugar destinado a Reynaud tanto na sociedade como, em termos políticos, na tradicional Câmara dos Lordes.

   A narrativa é fluída, envolvente e consegue caracterizar os dilemas morais dos protagonistas, traçando de ambos um excelente retrato psicológico. 

   Muito interessante é também a descrição do processo de recuperação do Título Nobiliárquico que Reynaud tem de conduzir junto da Câmara dos Lordes, e que bem caracteriza o peso do formalismo e da tradição na sociedade Britânica do Século XIX.

   Por fim, não faltam os momentos de paixão, sensualidade e amor descritos com o estilo muito próprio  e elegante a que esta autora já nos habituou.

   E para as leitoras que acompanham a série desde o início, o romance será também uma excelente oportunidade para reencontrar personagens já conhecidas de livros anteriores da série, sendo também de destacar o desfecho da intriga política e de espionagem, com revelações importantes sobre quem é autor da traição do Regimento Britânico de que fazia parte Reynaud e os protagonistas masculinos dos anteriores romances desta colecção. 

   Arrebatador, viciante e a deixar saudades de toda a galeria de personagens desta interessante série.


domingo, 8 de março de 2015

[Passatempo 1 - 3º aniversário do Blog] "Rendição", de Maya Banks [Asa]


   Para celebrar o Terceiro Aniversário do Blog Os Livros Nossos  que se completa no corrente mês de Março, temos para sortear entre os nossos leitores um exemplar do livro Rendição, de Maya Banks, gentilmente cedido pela nossa Parceira Editorial ASA [Grupo Leya].

   Porém, decidimos lançar aos leitores um desafio diferente do habitual, e que se pretende seja o ponto de partida de uma nova rúbrica no blog.

   Assim, para participar, tem de nos enviar um conto romântico ou erótico, com as seguintes especificações de formatação:

- Limite de duas páginas A4
- Formato word
- Letra 12, Times New Roman

O melhor conto, a ser seleccionado pela Administração do Blog até ao final do mês de Abril, será publicado pelo Blog, e dará ao seu vencedor direito a um exemplar do Romance "Rendição", apenas válido em território Português.

O conto terá se ser original, assumindo o respectivo autor a responsabilidade por tal facto ao participar no presente passatempo. O envio dos contos deverá ser feito para o email: isabelalexandraalmeida@gmail.com, o autor pode fazer-se identificar sob pseudónimo, se assim o entender, mas apenas serão válidas as participações que contenham os seguintes dados a inserir no email e/ou no ficheiro anexo:

Nome Completo:
Pseudónimo (se aplicável)
Morada completa para contacto

O email deve ter no assunto a seguinte menção: "Narradores - Os Livros Nossos"

Serão consideradas válidas todas as participações enviadas até as 23 horas e 59 minutos do dia 08.04.2014.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

[Literatura Lusófona] "Um Homem Escandaloso", de Tiago Rebelo [ASA]




Autor: Tiago Rebelo

Editora: ASA [Grupo LeYa]

Edição: Novembro de 2014

Páginas:328

Género: Romance/Literatura Lusófona

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   Um Homem Escandaloso do Jornalista e escritor Português Tiago Rebelo é um romance contemporâneo temperado com rasgos de ironia, algum humor e bastante erotismo.
   
  O nosso protagonista é João Pedro, uma personagem com quem nos é fácil simpatizar, porque há nele uma série de características próprias de um verdadeiro anti-herói: pintor, tímido, inseguro, desajeitado,  com evidentes dificuldades em socializar, sem dever muito à beleza e com a situação financeira e o casamento em crise instalada. 

   No início da trama João Pedro encontra-se já divorciado de Clara, uma rapariga oriunda de uma família tradicional e de elevada classe social, cuja família acabará por enfrentar a falência financeira. Ambos se conheceram na faculdade, e Clara criou uma imagem totalmente idealizada de João Pedro, então o melhor aluno da faculdade, para o qual a namorada e mais tarde esposa anteviu um futuro brilhante em termos artísticos, acabando por se sentir desiludida com essa idealização, e projectando na pessoa do marido a sua frustração pelo facto de este não ter logrado corresponder às elevadíssimas e irreais expectativas que Clara traçara para ambos.

   Insatisfeita com o casamento, desiludida com o marido (ou  melhor dizendo, desiludida com a fantasia idealizada que do mesmo criara na juventude), acabará por se divorciar e contrair novo matrimónio com o seu Patrão, sendo empregada num Atelier de arquitectura.

   Quando se encontra a adaptar à sua condição de divorciado, disponível para estabelecer novos relacionamentos aos níveis físico e emocional, enquanto vê a sua carreira de artista permanecer num incómodo impasse de fracasso, é assaltado por um estranho e sensual sonho, onde se vê envolvido sensual e sexualmente com duas belas mulheres, acabando por percepcionar uma realidade fantasiada e também idealizada acerca do seu futuro.

   O destino levará João Pedro a cruzar-se com a sensual Cristiane, uma hospedeira de bordo com a qual viverá uma relação intensa, gerando consequências inesperadas na personalidade e na criatividade do pintor, até ai um artista incompreendido e pouco inspirado, apesar de possuir elevado nível técnico. Com Cristiane João Pedro descobre todo um novo percurso ao nível dos sentidos, da sensualidade e sexualidade vividas intensamente, numa nítida química erótica que o autor bem sabe descrever e transmitir aos leitores.

   Iremos também encontrar, no terço final da narrativa, Carol, uma fotógrafa de moda e "da moda", que esconde um passado familiar traumático, e que vive com base numa imagem totalmente construída de forma artificial.

   A linguagem é bastante acessível, mas ainda assim, elaborada (sem ser pretensiosa nem vulgar), sendo diversos os trechos textuais que têm bastante de filosófico, e que nos levam a pensar nos pressupostos nos quais baseamos a nossa vivência, o que nos dá sentido à vida, a forma como procuramos de forma mais ou menos adaptativa encontrar esse sentido.

  É nítida também a deliciosa sátira social, pois sem medos e sem falsos pudores, toda a trama e a caracterização física e psicológica das personagens apontam o dedo a uma sociedade nossa contemporânea, onde o parecer é mais importante do que o ser, e onde os valores materiais se sobrepõem aos morais, estando o foco  a incidir em sombras projectadas numa parede duma caverna, e não nos verdadeiros objectos e seres que originam essas sombras (numa interpretação platónica muito livre que nos suscita a reflexão crítica sobre esta obra e que ousamos partilhar).

Foi a minha estreia com uma obra deste autor e há que admitir que Tiago Rebelo ganhou mais uma leitora !

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas

   



quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Um Anjo da Guarda", de James Patterson e Gabrielle Charbonnet [Topseller]



Autores: James Patterson e Gabrielle Charbonnet

Edição: Novembro de 2014


Páginas: 304

Género:  Romance/Ficção Romântica


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


  Um Anjo da Guarda, é uma doce e romântica narrativa, ideal para uma leitura rápida e descontraída e capaz de nos deixar completamente rendidos à simplicidade e ternura da trama.
   Como personagens centrais iremos encontrar Jane Margaux, filha da bem sucedida e autoritária produtora da Brodway Vivienne Margaux.
   Embora ao nível material, Jane leve uma vida desafogada, e pese embora o facto de trabalhar com a mãe, esteja a começar a desbravar o seu próprio caminho, por mérito próprio, na área da produção de espectáculos, a jovem sente que lhe faltam autonomia e independência em relação à mãe.
  Em termos emocionais, apesar de manter uma relação amorosa com o atraente, vaidoso e fútil actor Hugh Mcgrath (talvez a personagem que todos os leitores vão adorar detestar), a verdade é que Jane sente que esta relação não parece ser suficientemente sólida, recíproca e sincera, subsistindo um vazio emocional que anseia secretamente ver preenchido.
   Michael é um homem atraente e muito misterioso cuja missão na vida é cumprir uma tarefa muito especial - assumir o papel de amigo imaginário de crianças, até que estas completem o seu nono aniversário. De todas as crianças com que se cruzou, uma deixou uma marca muito especial no seu coração, trata-se de Jane Margaux.
   A escrita é fluída, leve, doce e envolvente, como é habitual neste registo romântico de James Patterson, e as páginas vão sendo viradas sem nos darmos conta!
   A narrativa conta com um toque de fantasia (Michael, o amigo imaginário que reencontra Jane na idade adulta e que fará a jovem colocar em dúvida a sua própria sanidade mental, em momentos que têm também um toque de humor bastante vincado, mas que serão do agrado dos leitores mais românticos).
   Uma personagem bastante forte é Vivianne Margaux, dominadora, poderosa, autoritária, interfere de forma intrusiva na vida da filha - Jane - mas ama-a incondicionalmente, embora nem sempre consiga expressar de forma mais saudável e funcional tais sentimentos.
   A história, sendo simples, suscita-nos algumas reflexões acerca do modo mais ou menos equilibrado como podem decorrer as relações entre pais e filhos, especialmente, leva a concluir que nem sempre as classes sociais mais elevadas conseguem proporcionar o ambiente mais desejado em termos de afectos e sua expressão, mas também há sempre hipótese de corrigir alguns erros, desde que as consciências se agitem.
   Uma leitura que recomendamos a românticos inveterados, e que constitui uma boa escolha para leitores mais jovens. Mais uma vez, James Patterson conseguiu ser bem sucedido num género que é bastante diverso do seu registo principal, enquanto autor aclamado de policiais.

   Gostamos e recomendamos!

Classificação atribuída no Goodreads: 4/5 estrelas