sábado, 16 de maio de 2015

[Fantástico] "Eve e as Trevas", de Sylvia Day [5 Sentidos- Grupo Porto Editora]


Ficha Técnica:

Título: Eve e as Trevas

Autora: Sylvia Day

Tradução: Leonor Bizarro Marques

Edição: Maio de 2015

Editora: 5 Sentidos [Grupo Porto Editora]

Série: Marcados

P.V.P. 16,60€

Género: Fantasia/Fantasia Urbana

Classificação GR atribuída pelo Blog: 4/5 Estrelas




Crítica para o Blog Os Livros Nossos por : Isabel Alexandra Almeida:

Eve e as Trevas, de Sylvia Day, corresponde ao primeiro romance de uma nova série de fantasia urbana para adultos - Marcados.

Numa narrativa a um ritmo trepidante, plena de acção, perigo, criaturas sobrenaturais e cenas verdadeiramente escaldantes, com toda a intensidade e envolvência com o qual os leitores de Sylvia Day já se encontram deveras familiarizados, estamos certamente, perante um novo vício literário.

Um dos detalhes mais interessantes deste mundo alternativo construído pela autora, verdadeiramente engenhoso  e criativo, é o pano de fundo bíblico que serve de base à história e à construção de dois dos protagonistas masculinos -  Alec Caim e o seu irmão Abel Reed - que são, afinal os irmãos Caim e Abel, que competem entre si de forma feroz, não conseguindo esconder a animosidade recíproca que entre ambos subsiste, por motivos que  não serão ainda concretamente desvendados neste primeiro livro da série.

A protagonista feminina é Evangeline Holis, uma rapariga jovem, de beleza exótica - sendo filha de pai Norte-Americano e de mãe Japonesa, provém de uma família com tradição Cristã, mas é agnóstica, circunstância que confere à narrativa um toque de humor, pois Eve irá confrontar-se com uma realidade para além do óbvio e directamente observável e perceptível pela espécie humana, sendo arrastada inadvertidamente para um mundo sobrenatural, onde verá alterada toda a sua pacata existência, desenvolvendo faculdades sobre-humanas (por exemplo, visão no escuro, regeneração de lesões corporais, uma força e resistência físicas acima do normal), ao ver-se alvo da Marca de Caim, um castigo destinado por Deus aos pecadores que tenham de tentar redimir-se das suas falhas, e no caso de Eve, o pecado foi, há dez anos atrás, ter-se envolvido numa noite de amor com o sensual e irresistível Alec Caim.

Eve irá , para sua surpresa, ter como missão matar demónios - diversas castas de criaturas infernais que habitam entre os humanos de forma camuflada- e tentar escapar com vida a tal tarefa, o que não será propriamente fácil.

Não menos surpreendente é a complexa rede hierárquica das redes celestiais, constituídas por diversos anjos com funções distintas, numa luta pelo poder que nos fará duvidar, muitas vezes, da generosidade e bondade das intenções e decisões tomadas por estes mesmos anjos.

Eve é uma mulher de forte personalidade, muito sensual, e dotada de uma inteligência bastante aguçada, o que lhe será muito útil, perante o seu novo modo de vida.

Alec Caim é um anjo de elevado estatuto hierárquico, mas que se sente culpado por , de alguma forma, ter colocado a mulher que ama incondicionalmente . Eve , em risco de vida. É inteligente, belo, sensual e disposto a arriscar tudo para salvar a amada, um herói que facilmente conquista as boas graças das leitoras, e que tem todo o potencial para gerar uma legião de fãs.

Abel, irmão de Alec, deseja Eve com todas as suas forças, o que o leva a colocar-se, mais uma vez, na mira da hostilidade do irmão Alec. Muito atraente, e também de elevado estatuto entre as hostes do céu, conseguirá aliar-se ao irmão, se tal for necessário para salvar a mulher amada por um e desejada por outro até aos limites de uma clara obsessão?

Um livro de fácil leitura, com cenas trepidantes, e inúmeras descrições que nos dão uma clara imagem mental dos cenários que vão desfilando perante os nossos olhos atentos de leitores ávidos por saber o que nos espera ao virar da próxima página.

Sem dúvida alguma, esta é uma série de fantasia urbana que promete conquistar adeptos e que reúne todo o potencial para chegar ao grande ecran, requerendo, todavia, uma superprodução em termos de efeitos especiais. As cenas sexuais explícitas conferem também um cunho assumidamente erótico à obra, todavia, o género fantástico assume o protagonismo em termos da classificação desta série.

Uma série que queremos acompanhar, com personagens fortes, fantasia, sensualidade e muita acção!




sexta-feira, 8 de maio de 2015

[Novos Livros] "Eve e as Trevas", de Sylvia Day [5 Sentidos - Grupo Porto Editora]


Ficha Técnica:

Título: Eve e as Trevas

Autora: Sylvia Day

Tradução: Cláudia Ramos

Edição: Maio de 2015

Editora: 5 Sentidos [Grupo Porto Editora]

Colecção: Marked

P.V.P.: 16,60€

Género: Fantasia



   Eve e as Trevas, da consagrada autora da Série Crossfire -  Sylvia Day - chega hoje, dia 8 de Maio às livrarias, assinalando o início da publicação em Portugal de mais uma série da escritora, desta feita, com uma incursão pela fantasia. Mais uma novidade com a chancela 5 Sentidos, do Grupo Porto Editora.

 Num mundo onde os demónios podem estar ao virar da esquina, a poderosa e sensual Eve  protagoniza uma aventura vibrante, provocadora e de deixar os sentidos em brasa. 

   [Sinopse da Obra]:

   Para Evangeline Holis, aquilo que parecia ser apenas uma aventura com um mau rapaz acabou por se transformar num desastre de proporções bíblicas.
   Uma noite com o misterioso homem vestido de cabedal foi quanto bastou para a punição divina: a Marca de Caim.
   Presa num mundo onde os pecadores são recrutados para matar os demónios, Eve tem pouco tempo para se adaptar. Agnóstica desde sempre, ela vê-se obrigada a uma série de manobras na burocracia celestial onde passa a ser um valioso mas maltratado peão.
   Eve passa também a ser mais um ponto de discórdia num dos mais antigos casos de rivalidade familiar da História…
   Mas para já, ela está mais preocupada em matar para se manter viva e salvar a alma que nem ela própria sabia ter.

   Amaldiçoada por Deus, perseguida pelos demónios, desejada por Caim e Abel… tudo num só dia.

[ A Autora]:



   Sylvia Day é autora nº 1 nas listas de bestesellers do New York Times e bestseller internacional de cerca de 20 romances premiados e publicados em mais de 40 países. Autora de eleição para seguidores de vários géneros, é bestseller em 28 países e conta já com dezenas de milhões de livros impressos em todo o mundo. Os direitos para televisão da série Crossfire foram adquiridos pela Lionsgate.

Pode acompanhar de perto a carreira da autora:

No site oficial em www.sylviaday.com


No Twitter em twiter.com/sylday

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segunda-feira, 27 de abril de 2015

[Fantástico - Juvenil] A Escola do Bem e do Mal [Individual Editora]


Ficha Técnica:

Título: A Escola do Bem e do Mal

Autor: Soman Chainani

Editora: Individual Editora

Chancela: Lápis Azul

Edição: Novembro de 2014

Páginas: 512

P.V.P.: 17,90

Capa: Cartonada/hardcover

Idade recomendada: + 9 anos

Género: Fantasia

Classificação GR atribuída pelo Blog: 4/5 estrelas


Crítica para o blog Os Livros Nossos por: Isabel Alexandra Almeida


   A Escola do Bem e do Mal, de Soman Chainani, editado em Portugal pela Individual Editora é o primeiro volume de uma trilogia do género Fantástico, tendo por público alvo crianças e jovens com idade superior a nove anos de idade.

   As protagonistas da história são Sofia e Agatha, duas amigas que vivem em Gavaldon, uma localidade no meio de uma floresta. Nesta localidade, de quatro em quatro anos, e há cerca de duzentos anos, são misteriosamente raptadas duas crianças com idade superior a 12 anos, dizendo-se que são levadas para a misteriosa Escola do Bem e do Mal, onde jovens comuns são treinados para serem bons ou maus, em contos de fadas que irão viver.

   Sofia é bonita, gosta de se cuidar, sendo algo obcecada com a beleza, adora cor de rosa e pensa reunir todas as características para entrar na Escola do bem, onde crê ir encontrar um príncipe que fará dela uma princesa com pleno direito a um final feliz, um pouco à imagem dos contos de fadas que lê em cuja concretização acredita. Sofia vive com o pai, sendo órfã de mãe e, ao contrário dos restantes habitantes locais, deseja ser levada para  Escola, deixando para trás a sua vida comum.

   Num nítido contraste, a melhor amiga de Sofia é Agatha, uma jovem que se veste de preto, com aspecto físico pouco cuidado,  vive com a mãe e o seu gato num cemitério, não acredita no amor nem nos contos de fadas, que não passam de ficção, e que muitos julgam ser bruxa, incluindo a sua própria mãe, que a crê destinada a ser uma vilã de conto de fadas, após estudar na Escola do Mal. 

   Apesar das medidas de prevenção tomadas pelos habitantes de Gavelton, as duas amigas são raptadas pela sinistra criatura que todos conhecem por reitor e, para grande espanto de ambas, parece ter havido algo de muito errado no cumprimento deste ritual, pois, Sofia é enviada para a Escola do Mal e Agatha para a Escola do Bem.

   Nas respectivas escolas as amigas irão ver-se a braços com a descoberta das suas identidades, muitas surpresas as aguardam, e há imensos segredos para revelar.

      A narrativa mostra-se escrita, também ela, seguindo muitas das regras dos contos de fadas tradicionais, pois o espaço e o tempo onde decorre a acção são indefinidos, e existem várias referências à simbologia própria deste tipo de histórias que tem atravessado gerações. Mas parece-nos brilhante a forma o autor, a pouco e pouco, nos vai levando a subverter alguns estereótipos, chamando a atenção, com algum humor e ironia, de que nem tudo é linear como por vezes parece, ou seja, serão as fronteiras que separam o bem do mal assim tão nítidas como, à partida, se poderia pensar que fossem? É a grande questão que atravessa transversalmente toda a trama.

   A criatividade do autor fica bem patente nos ricos detalhes com que é descrito um mundo mágico que corresponde às duas alas da Escola, a ala do bem e a ala do Mal. As descrições mostram-se feitas de forma tão perfeita, que nos é fácil ver as imagens mentais dos espaços e acontecimentos a desfilarem perante os nossos olhos, como se estivéssemos a ver um filme.

   Além de Sofia e de Agatha surgem diversas personagens que captam a atenção e a empatia dos leitores. Na escola do bem iremos encontrar Tredos, um príncipe filho do Rei Artur da Távola Redonda, que irá desempenhar um papel de relevo no avanço da narrativa. Na escola do mal, o destaque vai para as alunas Dot, Hester e Anadil, três bruxas que serão colegas de quarto de Sofia na Escola do Mal.

   Também os professores são personagens bastante bem caracterizadas, embora algo enigmáticas, e que acabam por assumir a competição entre as duas facções, em especial, há momentos de bastante tensão e humor entre Lady Lesso, professora de "Maldições e Armadilhas Mortais" na Escola de Mal e Clarissa Dovey, professora de "Boas Acções" na Escola do Bem.

   Embora a narrativa se assuma como adequada a um público alvo infantil, com idade superior a nove anos, cabe referir que a história contém momentos pautados por alguma violência, mas é também esse factor, somado a interpretações e reflexões que podem surgir da parte de leitores adultos, e que apontam para um visão mais metafórica que faz alargar substancialmente o leque de leitores potencialmente interessados na sua leitura.

   Criativo, vibrante e viciante, este é, sem dúvida, um mundo que queremos continuar a espreitar bem de perto!

terça-feira, 14 de abril de 2015

[Fantástico] "Raven - Noites de Florença", de Sylvain Reynard [Saída de Emergência]


Ficha Técnica:

Título: Raven - Noites de Florença

Autor: Sylvain Reynard

Editora: Saída de Emergência

Chancela: Chá das Cinco

1ª Edição: 08/04/2015

Páginas: 478

P.V.P.: 17,76€

Género: Romance Fantástico/paranormal

Classificação GR atribuída pelo Blog: 5/5 estrelas

Crítica para o Blog Os Livros Nossos por: Isabel Alexandra Almeida


   Raven - Noites de Florença, do autor Sylvain Reynard é um romance de cariz fantástico, que corresponde a um muito bem conseguido spin off da série " O Inferno de Gabriel", também editada em Portugal pela chancela Chá das Cinco das Edições Saída de Emergência.

   O roubo de importantes ilustrações de Boticelli, propriedade do Professor Gabriel Emerson e da esposa Julianne, que se encontravam em exposição na Galeria Uffizi, no coração da Cidade de Florença, faz incidir o foco das atenções na jovem Raven Wood, uma conservadora de arte que, em simultâneo com o facto de ver recair sobre si fortes suspeitas de prática de um crime, entra inadvertidamente em contacto com o submundo da cidade de Florença, governado pelo atraente e devastadoramente sexy e misterioso William York, o príncipe de Florença.

   Raven assiste a mudanças em si mesma que jamais suspeitaria possíveis, e vê em risco a sua segurança e a permanência em Florença, onde sente ser a sua zona de conforto, perante o peso de demónios do passado, na sua terra Natal nos Estados Unidos. Portadora de uma deficiência física, sonha, sem grande esperança, ser bem sucedida em termos afectivos. 

   Caberá a Raven redescobrir a sua identidade e o seu valor enquanto pessoa, fazendo um percurso pessoal e afectivo que ponham em evidência que as imperfeições e as vulnerabilidades são inerentes à condição humana, e num rasgo de ironia, afectam também seres com poderes sobrenaturais, como os vampiros que habitam o submundo de Florença.

   Curiosamente, William York, o Príncipe de Florença, é um ser com poderes sobrenaturais, e que se julga incapaz de amar, muito embora revele especiais aptidões ao nível sensual e sexual. Sentindo a ameaça sempre premente sobre o seu mundo, tendo de lutar contra poderosos inimigos, e receando, a todo o momento, ver-se traído pelo seu círculo mais próximo (o Consilium,  que integra seis membros, a que se soma o Príncipe, e que reveste a natureza de um conselho governativo do Principado de Florença).

   Também o poderoso Príncipe transporta consigo uma história pessoal algo traumática que, inevitavelmente, afecta o modo como se relaciona e se move no decurso da sua vida em termos sobrenaturais.

   Com efeito, uma das mensagens mais importantes deste romance é que a imperfeição, os medos, as dificuldades e a capacidade de resiliência perante as adversidades acabam por ser tão transversais a toda a humanidade que, num rasgo de sábia ironia, o autor prova que tal circunstancialismo pode também ser transversal ao submundo, onde dada a existência de poderes sobrenaturais, poder-se-ia dar como adquirida a mais absoluta perfeição e o auto-conhecimento.

   Um romance absolutamente fascinante, pelo belíssimo cenário da Cidade de Florença, que desfila perante os olhos do leitor em cada detalhe encantador; pelas personagens fortes, bastante densas psicologicamente e sui generis nas respectivas imperfeições, e pela narrativa muito bem estruturada e imensamente rica em apontamentos culturais e históricos.

 As alusões a diversos aspectos históricos, em especial, ao Renascimento Italiano e ao seu relevante contributo para a história da arte acabam por ser o complemento ideal para afastar a obra de uma visão estereotipada, conferindo-lhe um factor de distinção, sem retirar a natureza sobrenatural e uns elegantes laivos de sensualidade e romantismo. 

Brilhante e a revisitar na estante!

Aviso: a leitura deste livro é passível de causar sintomas de ressaca literária!




terça-feira, 7 de abril de 2015

[Histórico] " A Herança Bolena", de Philippa Gregory [Planeta]


Ficha Técnica:

Título: A Herança Bolena

Autora: Philippa Gregory

Série: Os Tudor

Editora: Planeta

Edição: Março de 2015

Páginas: 472

P.V.P.: 19,95€

Género: Romance Histórico

Classificação GR atribuída pelo blog: 5/5 estrelas

Crítica para o Blog Os Livros Nossos por: Isabel Alexandra Almeida


   A Herança Bolena, de Philippa Gregory, é um soberbo romance histórico tendo como pano de fundo a vivência no clima de intriga, sensualidade, traição e intricados jogos de poder e política bem presentes na corte de Henrique VIII de Inglaterra, em plena época Tudor.

   Este romance surte perante os olhos do leitor escrito numa perspectiva assumidamente feminina e intimista, e no decurso da leitura vamos assistindo à construção da teia narrativa pela lente de três protagonistas femininas, que assumem também o papel de narradoras participantes.

   Joana Bolena, Viscondessa Rochford, é uma mulher determinada, inteligente e astuta, mas que transporta no seu íntimo o peso de ter desempenhado um papel de relevo na condenação à morte do marido - Jorge Bolena - e da cunhada - Ana Bolena - ambos eliminados por decisão do Rei Henrique VIII. Joana é uma personagem ambígua, permanentemente dividida entre aquilo que sente seria uma conduta adequada e correcta em termos morais e humanos, e as condições que, por vezes, se vê forçada a aceitar em prol da sua própria sobrevivência, ainda que tal implique trair os que estima e ama. Numa sociedade onde os homens de poder tudo controlam e onde as mulheres se vêem forçadas  pelo contexto envolvente a trair família, amigos e aqueles a quem deveriam servir lealmente, Joana acaba por se revelar um peão de peso no xadrez sabia e perversamente planeado pelo seu poderoso tio - Tomás Howard - Duque de Norfolk.

   O Duque de Norfolk assume-se como um dos vilões da trama, é um homem sem escrúpulos, habituado a usar as mulheres da sua família como meros instrumentos para atingir os seus fins de ascensão social e política, sendo próximo do instável e perturbado Henrique VIII.

   Outra protagonista feminina é Catarina Howard, de apenas 14 anos, sobrinha do poderoso Duque de Norfolk, é por este encaminhada para a corte, onde deverá servir como Aia a rainha Ana de Clèves, sendo mais tarde orientada para seduzir o velho rei e tornar-se rainha. Catarina é uma jovem imatura e ambiciosa, mas não muito inteligente. É fútil, licenciosa e vaidosa, tendo mantido relações amorosas ilícitas em casa de sua avó - a Duquesa de Norfolk, a qual não deu à neta uma educação cuidada. Sonha em ascender socialmente e vai sempre avaliando o seu aspecto físico e  os bens que vai adquirindo, nomeadamente, vestidos novos ou jóias. Irá atrair as atenções do Rei Henrique VIII, que fica fascinado com a sua beleza e graciosidade, mas surge uma forte atracção entre Catarina e Thomas Culpepper que poderá deitar a perder os planos de ascensão social da jovem.

  Ana de Cléves, filha do Duque de Cléves, é enviada para contrair matrimónio com Henrique VIII de Inglaterra, de modo a reforçar uma aliança política inicialmente vista como vantajosa para ambas as partes, porém, o casamento revela difícil de consumar, e acabará por chegar a um fim antecipado, sendo-lhe conferido o estatuto de irmã do Rei. Ana é uma jovem doce, bondosa e sofredora. Inicialmente, vê o casamento como uma possível libertação do jugo maldoso do irmão sobre si, mas cedo percebe que a corte Inglesa dos Tudor é um local inóspito, e onde corre risco permanente de cair em desgraça perante o Rei e ser condenada à morte. Vive momentos de puro terror, com receio pela própria vida, mas torna-se amiga leal da enteada Maria, sendo também próxima da enteada Isabel.

  Henrique VIII é um homem perturbado ao nível mental, nega estar envelhecido e ter perdido a beleza e a força da juventude. É instável nos relacionamentos amorosos, imaturo,  facilmente manipulado pelos seus homens de confiança, e capaz de actos extremos de generosidade e crueldade. Da leitura do livro, ficamos na dúvida se estamos perante um vilão, ou se não será também, de algum modo, vítima de circunstâncias que o rodeiam e de uma corte que fervilha de interesses ocultos, traição e intriga política e palaciana.

   A acção decorre entre Julho de 1539 e Janeiro de 1547, no século XVI e denota ter por base uma detalhada e rigorosa pesquisa histórica que muito enriquece o trabalho da autora.

  A linguagem mais e menos formal, os cenários variados, os trajes e rituais e toda a  descrição da vida na corte mostram-se feitos de uma forma que nos transmite uma imagem visual bastante rica. As personagens mostram-se muitíssimo bem construídas e acedemos facilmente ao seu mundo interno ( em termos psicológicos). 

  A nosso ver, a leitura deste romance suscita-nos também reflexões importantes acerca da condição feminina nesta época e contexto históricos. Um fascinante retrato de uma época histórica bastante conturbada.





quinta-feira, 19 de março de 2015

[New Adult]"Uma semana para te amar", de Monica Murphy [Topseller]



Ficha Técnica:


Título: Uma Semana para te Amar

Autora: Monica Murphy

Editora: Topseller [Grupo 20/20]

Edição: Setembro de 2014

Páginas: 208

Género: Romance/New Adult

Classificação GR atribuída pelo blog: 5/5 estrelas.




Crítica para o blog Os Livros Nossos por Isabel Alexandra Almeida:

Uma Semana para te Amar é um delicioso, sensível e intenso romance New Adult que prende a atenção do leitor desde a primeira  à última página, num crescendo de suspense em relação aos fantasmas do passado que, ostensivamente atormentam o protagonista masculino.

As personagens centrais da trama são dois jovens adultos - o rico e atraente Drew Callahan, um rapaz que tem todas as condições para ser bem sucedido nos vários níveis de vivência humana, mas que, estranhamente, precisa de contratar Fable Maguire para assumir, ficticiamente, o papel de sua namorada, numas breves férias de uma semana na casa paterna de Drew, onde o aguardam o pai e a madrasta.

   Ao longo da narrativa, vamos notando que a adolescência de Drew não foi fácil, pese embora este pertença a uma elevada classe social. Contido emocionalmente e , aparentemente, incapaz de se entregar afectiva e fisicamente, bom aluno e excelente desportista na Universidade que frequenta, Drew irá precisar de toda a ajuda de Fable, na farsa que construiu para convencer o pai e a madrasta de que leva uma vida normal para um jovem da sua idade, tendo ultrapassado traumas que iremos desvendar no decurso da leitura do romance.

   Por sua vez, Fable é uma rapariga atraente, trabalhadora e sensível, que não contando na sua vida com a figura paterna de referência e vivendo com uma mãe alcóolica, instável em termos de relacionamentos afectivos e negligente,  assume o papel de mãe do seu irmão mais novo[Owen].

 Fable foi, no fundo, forçada pelas circunstâncias do contexto onde nasceu, a crescer à força, e sonha com uma vida estável para si mesma e para o irmão. Sempre em busca de amor, que nunca encontrou no pai e na mãe, acaba por se envolver em relações amorosas precipitadas e casuais que contribuem para lhe atribuir uma reputação algo duvidosa, muito embora a jovem seja até algo ingénua e pouco previdente, e procure fugir ao vazio emocional que a persegue.
   O destino irá fazer com o caminho de ambos os jovens se cruze, e embora estes sejam bastante diferentes, acabam por ter em comum alguma disfuncionalidade ao nível familiar, que contribuiu para alguma dificuldade em construírem  correctamente a respectiva identidade.

   A narração da história cabe, alternadamente, a cada um dos protagonistas, na primeira pessoa, o que mais contribui para facilmente empatizarmos com as personagens e os seus problemas e vitórias. Numa escrita fácil, mas imbuída de forte sensibilidade e intensidade psicológica, Monica Murphy surpreende pela positiva por criar personagens realistas, com defeitos e virtudes, e muitíssimo densas psicologicamente.

  Uma série para jovens adultos, que os adultos mais velhos irão igualmente apreciar e acompanhar. Um livro que atingiu e mesmo superou as nossas expectativas. Recomendamos.




segunda-feira, 9 de março de 2015

[Renda & Saltos Altos] "Coração Selvagem", de Elizabeth Hoyt [Quinta Essência]



Ficha Técnica:


Título: Coração Selvagem

Autora: Elizabeth Hoyt

Colecção: A Lenda dos quatro soldados - Volume 4

Editora: Quinta Essência [Grupo Leya]

Edição: Fevereiro de 2015

Páginas: 360

Género: Romance histórico/sensual

Classificação GR atribuída pelo Blog: 5/5 estrelas




Crítica para o blog Os Livros Nossos por Isabel Alexandra Almeida:


   Coração Selvagem é um romance histórico com um toque de sensualidade que faz parte integrante e põe fim à série "A Lenda dos Quatro Soldados", da autoria de Elizabeth Hoyt.

   A acção decorre em Inglaterra no Século XIX, tendo início em Outubro de 1765 em Londres.

   As personagens centrais são, respectivamente, Beatrice Corning, a romântica, doce e sonhadora sobrinha do actual Conde de Blanchard e Reynaud St. Aubyn, o filho do falecido Conde Blanchard, que regressa após sete anos durante os quais esteve prisioneiro de Índios, e que toda a gente julgara morto.

   Reynaud reaparece parecendo alienado mentalmente, revela ser um homem marcado por traumas decorrentes do profundo sofrimento que vivenciou durante os sete longos anos em que se viu forçado a sobreviver na qualidade de prisioneiro, demasiado brusco, impulsivo e até violento, encontrará em Beatrice alguém que consegue compreendê-lo para lá da máscara que criou para se adaptar a um meio cruel, adverso e de onde considerou poder até perder a vida.

   Por sua vez, Beatrice sente-se atraída por Reynaud, mas não consegue evitar ter consciência de que tal a coloca na ingrata situação de se sentir dividida entre a paixão pelo homem que, no fundo, há muito povoava o seu imaginário romântico (devido a um quadro existente na mansão) e o dever de lealdade e o terno amor familiar que nutre pelo tio Reggie, um parente afastado de Reynaud que assumiu o título, a fortuna e o lugar destinado a Reynaud tanto na sociedade como, em termos políticos, na tradicional Câmara dos Lordes.

   A narrativa é fluída, envolvente e consegue caracterizar os dilemas morais dos protagonistas, traçando de ambos um excelente retrato psicológico. 

   Muito interessante é também a descrição do processo de recuperação do Título Nobiliárquico que Reynaud tem de conduzir junto da Câmara dos Lordes, e que bem caracteriza o peso do formalismo e da tradição na sociedade Britânica do Século XIX.

   Por fim, não faltam os momentos de paixão, sensualidade e amor descritos com o estilo muito próprio  e elegante a que esta autora já nos habituou.

   E para as leitoras que acompanham a série desde o início, o romance será também uma excelente oportunidade para reencontrar personagens já conhecidas de livros anteriores da série, sendo também de destacar o desfecho da intriga política e de espionagem, com revelações importantes sobre quem é autor da traição do Regimento Britânico de que fazia parte Reynaud e os protagonistas masculinos dos anteriores romances desta colecção. 

   Arrebatador, viciante e a deixar saudades de toda a galeria de personagens desta interessante série.


domingo, 8 de março de 2015

[Passatempo 1 - 3º aniversário do Blog] "Rendição", de Maya Banks [Asa]


   Para celebrar o Terceiro Aniversário do Blog Os Livros Nossos  que se completa no corrente mês de Março, temos para sortear entre os nossos leitores um exemplar do livro Rendição, de Maya Banks, gentilmente cedido pela nossa Parceira Editorial ASA [Grupo Leya].

   Porém, decidimos lançar aos leitores um desafio diferente do habitual, e que se pretende seja o ponto de partida de uma nova rúbrica no blog.

   Assim, para participar, tem de nos enviar um conto romântico ou erótico, com as seguintes especificações de formatação:

- Limite de duas páginas A4
- Formato word
- Letra 12, Times New Roman

O melhor conto, a ser seleccionado pela Administração do Blog até ao final do mês de Abril, será publicado pelo Blog, e dará ao seu vencedor direito a um exemplar do Romance "Rendição", apenas válido em território Português.

O conto terá se ser original, assumindo o respectivo autor a responsabilidade por tal facto ao participar no presente passatempo. O envio dos contos deverá ser feito para o email: isabelalexandraalmeida@gmail.com, o autor pode fazer-se identificar sob pseudónimo, se assim o entender, mas apenas serão válidas as participações que contenham os seguintes dados a inserir no email e/ou no ficheiro anexo:

Nome Completo:
Pseudónimo (se aplicável)
Morada completa para contacto

O email deve ter no assunto a seguinte menção: "Narradores - Os Livros Nossos"

Serão consideradas válidas todas as participações enviadas até as 23 horas e 59 minutos do dia 08.04.2014.