quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

[Crítica Contemporânea] "Quando éramos mentirosos", de E. Lockhart [Asa]



Autora: E. Lockhart

Editora: ASA [Grupo LeYa]

Edição: Maio de 2014

Páginas: 312

Género: Romance contemporâneo

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Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   Quando éramos mentirosos, de E. Lockhart [Pseudónimo de Emily Jenkins, autora Norte-Americana a residir em Nova Iorque, detentora de um Doutoramento em Literatura Inglesa] constituiu uma excelente surpresa, tratando-se de um romance contemporâneo que pode ser inserido na categoria de Young Adult, mas que se destaca pela originalidade, pela especificidade, beleza e pelo carácter sui generis da escrita da autora, capaz de nos prender de forma verdadeiramente inebriante às páginas do livro.

   Como cenário central da narrativa vamos encontrar a bela ilha privada de Beechwood, no Massachusets, propriedade da poderosa, abastada e aparentemente perfeita família Sinclair, e o local de eleição para as férias de Verão deste clã.

  Os Sinclair ostentam e alimentam uma imagem pública de classe, beleza, bom gosto e fortuna, mas vamos ter oportunidade de ir desvendando obscuros segredos familiares, ao travarmos conhecimento com a narradora, e participante na trama, a jovem adolescente Cadence Sinclair Eastman, uma jovem inquieta, que evidencia uma nítida perturbação do foro psicológico ou mesmo psiquiátrico, mas que nos transmite o seu olhar sobre a intimidade familiar, convidando-nos a desvendar o que se esconde por detrás das belas mansões familiares e do universo à parte que constitui a Ilha privada da família.

  Logo no início do livro encontramos uma árvore genealógica dos Sinclair, e uma planta da Ilha, que nos facilitam a compreensão da história e o modo como se articula o dinamismo narrativo de todas as personagens. Iremos conhecer o rígido patriarca da família - Harris Sinclair e a esposa Tipper, bem como as suas filhas e sua descendência - Carrie Sinclair [mãe de Johnny e Will]; Bess Sinclair [mãe de Mirren, das gémeas Liberty e Bonnie, e do pequeno Taft], e Penny Sinclair [mãe da protagonista Clarence].

  À família juntar-se-á Gat, um jovem de ascendência Indiana, sobrinho de Ed [negociante de arte e companheiro de Carrie, por sua vez tia de Cadence] um jovem considerado pela família, intimamente, como um outsider de inferior classe social, mas que é acolhido para passar o verão, a partir dos oito anos, tendo perdido recentemente o pai. Gat revelar-se-á um jovem bastante atento, inteligente e culto, e a paixão que surge entre Cadence e Gat irá abalar, de algum modo, a estrutura familiar dos Sinclair, já bastante frágil, uma vez que vivem todos isolados em ridículas disputas pelo poder e pelo "ter", escondendo tudo o que é negativo e evidenciando uma perfeição que é completamente ilusória.

  Num mundo onde impera a dissimulação, a futilidade e a perturbação mental, Gat e Clarence, apesar de jovens, irão conseguir descortinar que muitos dos principios e pressupostos ali vigentes estão, à partida, errados e são bastante limitadores em relação aquilo que é o mundo real cá fora!

  Os mais jovens vão reflectir, inevitavelmente, a instabilidade latente resultante de um mundo de aparências, de casamentos desfeitos, de relações afectivas falhadas desde a origem, e a narrativa divide-se entre o tom intimista, perturbador e perturbante tantas vezes assumido por Clarance, e o clima de mistério que se vai adensando até ao desenlace verdadeiramente genial e inesperado.

   Um livro que se lê de um ápice, que nos fará pensar sobre um certo estilo de vida que, estando aqui centrado na classe alta norte-americana, tantas vezes pode ser transversal a vários outros meios sociais e culturais, onde o poder, a riqueza e o sucesso aparentes escondem, muitas vezes, ocultas fragilidades.

Sublime,sui generis e um verdadeiro must read de indiscutível qualidade literária!

Classificação atribuída do Goodreads 5/5 estrelas.



domingo, 24 de Agosto de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Duas Irmãs e um Duque", de Eloisa James [Quinta Essência]



Autora: Eloisa James

Edição: Agosto de 2014

Editora: Quinta Essência [Grupo LeYa]

Páginas: 368

Género: Romance Histórico /Reconto de História Clássica Infantil [para adultos]

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Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


  Duas Irmãs e um Duque correspondeu à nossa estreia com a autora Eloisa James, e foi uma agradável surpresa descobrir mais uma variante na ficção histórica ou de época, com cenário na Inglaterra do Século XIX, sendo este assumidamente um dos nossos géneros literários de eleição.

  A narrativa tem início em Março de 1812, em Mayfair, Londres, na residência da família Lytton, uma família abastada, aparentada com a aristocracia, mas destituída de título nobiliárquico, e que investiu grande parte dos respectivos recursos financeiros na "Duquesificação" [termo usado pela autora no romance, e que achámos verdadeiramente genial] das duas filhas gémeas  - Olivia e Georgiana Mayfield Lytton.

 As Gémeas, bastante cúmplices entre si, foram criadas com o intuito de serem o exemplo máximo da virtude, educação, contenção emocional  e cumprimento rigoroso dos preceitos sociais bastante rígidos da aristocracia Britânica, sendo ambicionada claramente uma ascensão na escala social.

  Olívia, a irmã mais velha (alguns minutos), está prometida desde tenra idade ao herdeiro do Duque de Canterwick - Rupert Forrest G. Blakemore - um rapaz mais jovem do que Olívia e que apresenta uma perturbação ao nível intelectual, pese embora seja uma alma sensível e doce, porém, muito simples e incapaz de raciocínios mais elaborados. O pai de Olívia foi colega de estudos e é amigo do Duque de Canterwick, e ambos fizeram um pacto de fazer casar um das filhas de Mr. Lytton com o herdeiro do Duque.

   Georgiana, a irmã mais nova, receberá um dote, após o casamento da irmã, que lhe permitirá, posteriormente ser elegível para ascender também na escala social, contraindo matrimónio.

  As duas irmãs são o oposto uma da outra. Olívia, a futura Duquesa, é divertida, pouco dada a cumprir à risca as apertadas regras sociais que a mãe ensinou, assumindo uma postura mais informal (excessivamente para os preceitos da época), expressando emoções, e preferindo brincar com rimas , trocadilhos e poemas alguns até algo brejeiros, sendo bastante sarcástica e crítica em relação à aristocracia sua contemporânea, o que causa desgosto à sua severa e ambiciosa mãe. A mãe da jovem chega mesmo a criticar a figura mais rendonda da mesma, levando a filha a sentir-se por vezes desanimada e com a auto-estima algo abalada pelo facto de ter curvas e  a sua estrutura corporal não ser considerada a mais desejada para os padrões da época, que evidenciavam a extrema magreza com ideal de beleza para as damas da alta sociedade. Olivia é dona de uma personalidade bem vincada e é bastante efusiva e brincalhona.

   Por sua vez, Georgiana Lytton, é, ironicamente, uma jovem que apresenta a personalidade contida em público, e interiorizou na perfeição os ensinamentos dados pela mãe, estando, de longe, mais apta a assumir a posição de Duquesa, por comparação com a mais extravagante irmã. Também a figura da jovem, em termos físicos, é consentânea com o ideal de beleza defendido. 

  As jovens são cúmplices, trocam confidências e desabafos entre si, e têm uma boa relação, apesar de todas as diferenças que as caracterizam.

  Subitamente, o prometido de Olivia decide partir para a Guerra com a França, para alcançar honra militar antes de que ambos se casem, o que vem adiar ou até mesmo, quem sabe, deitar por terra os planos de casamento e a "Duquesificação" de Olivia, pois existe o sério risco de Rupert não sobreviver.

  Georgiana é convidada para passar alguns dias em Littlebourne, em Kent, a residência do viúvo Duque de Sconce - Tarquin Brook-Chatfield -  onde será submetida a alguns testes de conduta social, para aferir da sua elegibilidade para ser a segunda esposa do Duque, tendo de passar pelo apertado crivo da avaliação dura de Amaryllis - a mãe do Duque. Assim, Georgiana parte para a residência do Duque de Sconce, na companhia da irmã Olivia, e de uma tia do Duque - Lady Cecilia.

   E estão lançados os dados para uma série de deliciosos diálogos, entre os convivas, o Duque e as duas irmãs. 

Quin - Duque de Sconce, é um homem marcado pelo passado, por alguns eventos trágicos, e pela crença errada, incutida pela mãe, de que o amor é algo negativo e destrutivo. É contido, rígido, mas irá evoluir e mostrar o carácter apaixonado e reconciliar-se com o passado e consigo próprio.

  Uma personagem também habilmente construída é Rupert, o herdeiro do Duque de Canterwick, que vai surpreender os leitores, e que é inspirada numa fascinante personagem do cinema contemporâneo.

  O ritmo narrativo, inicialmente algo mais rotineiro, quando a acção decorre na residência da família Lytton, começa a acelerar quando o cenário social e espacial muda para a residência de Quin - Duque de Sconce.

  Uma das características mais bem conseguidas, originais e especiais deste romance são as inúmeras graças, trocadilhos e poemas, com tiradas verdadeiramente hilariantes, muitas vezes da parte de Olivia, secundada por um primo do Duque - Justin - filho de mãe Francesa, também ele mais exuberante socialmente. Estes trocadilhos, segundos sentidos e humor evidente, redundam também, quase sempre, numa mordaz crítica social aos maneirismos da época, à excessiva rigidez, e à frieza e hipocrisia que caracterizavam a vivência das classes mais altas da sociedade, onde o parecer deveria muitas vezes suplantar o ser, em nome de uma apregoada dignidade que era mesmo artificialmente construída. E aqui o livro pode sempre ter duas leituras, o humor que nos diverte, e o foco na crítica social que nos faz pensar criticamente.

 As personagens estão muito bem elaboradas, são densas ao nível psicológico, e é evidente a arte de Eloisa James ao brincar com as palavras, e o quão bem a autora se sai deste desafio literário.

  A história corresponde a um reconto do clássico conto de Hans Christian Andersen "A Princesa e a Ervilha", mas existem inúmeras outras inspirações literárias, cuja explicitação a autora resume numa nota final que adicionou ao romance, e que mais ainda nos faz aumentar a admiração pelo trabalho desenvolvido.

  Também não ficam de fora momentos de tensão, aventura e perigo, e um muito inesperado twist final.

  Uma brilhante mistura de humor, amor, sensualidade, sátira social, cultura literária clássica ( a servir de mote e inspiração) e cultura cinematográfica contemporânea (a inspirar uma personagem em especial) mas respeitando sempre os detalhes históricos do tempo da narrativa.

 Estamos perante uma leitura agradável, divertida e inteligente! Mais uma autora de excelência, e que sabe conferir um estilo muito pessoal à sua escrita.


Classificação atribuída no Goodreads: 4/5 estrelas





sábado, 23 de Agosto de 2014

[Crítica] "Na pele de Meryl Streep", de Mia March [Bertrand Editora]



Autora: Mia March

Edição: Agosto de 2014

Editora: Bertrand Editora

Páginas: 344

Género: Romance Contemporâneo

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

Na pele de Meryl Streep, da autora Norte-Americana Mia March é um romance contemporâneo bastante emotivo e com elevada tensão dramática.

A narrativa tem início com um prólogo que constitui o respectivo ponto de partida, descrevendo um episódio sucedido na passagem de ano de há 15 anos atrás, que marcou o percurso de vida das protagonistas. Seguidamente, cada uma das personagens principais vai-nos sendo apresentanda, em capítulos alternados, sendo que toda a acção é narrada de acordo com esta estrutura, em que cada capítulo contém o foco apontado em especial a uma das protagonistas. Note-se que, este tipo de estrutura narrativa, além de captar a atenção e interesse do leitor, permite conferir um excelente grau de profundidade na caracterização das personagens.

As personagens principais são: as irmãs Isabel e June Nash, e a prima de ambas, e filha de Lolly Weller - Kat Weller.

Lolly Weller, respectivamente tia e mãe das três raparigas, desempenhará a importante função de personagem  âncora, que promoverá o reencontro deste grupo familiar, na Pousada  no Maine onde cresceram juntas, sem se terem então tornado muito próximas.

Neste reencontro familiar, assistimos ao nascimento de uma cumplicidade e de laços afectivos sólidos, que até ai não se haviam manifestado, e há lugar à partilha de histórias de vida, dramas, reflexões e dúvidas.

Isabel vem de um casamento destruído, pela rotina, pela anulação da sua própria identidade, em prol da relação, e pela recente infidelidade do marido Edward, sentindo ter desperdiçado dez anos da sua vida num projecto familiar que, nitidamente, falhou.

June, mãe solteira, aluna brilhante que deixou para trás o sonho de prosseguir os seus estudos universitários, encontra a sua razão de viver no pequeno Charlie, o seu alegre e ternurento filho de sete anos. Mas luta contra a mágoa de desconhecer o paradeiro do pai do menino, questionando-se quanto às razões pelas quais o mesmo desapareceu da sua vida, e prometendo à criança dar-lhe a conhecer o progenitor. Entretanto, tornou-se gerente de uma livraria, sendo verdadeiramente apaixonada pelo seu trabalho, e tendo encontrado nos patrões um excelente apoio e uma boa amizade.

Kat, filha de Lolly,  é uma jovem e inspirada profissional de pastelaria, mas vive um conflito interior que está relacionado com a  construção da sua identidade. Kat sente-se dividida entre ficar a residir na terra natal e casar-se com o seu melhor amigo de Infância, o sensível Oliver; ou partir à descoberta de novas oportunidades, novas experiências pessoais e aprimorar com grandes mestres a sua arte culinária.

Um detalhe que muito enriquece a narrativa, e confere ao romance uma especial graciosidade, é o facto de as protagonistas se reunirem semanalmente para uma sessão de cinema na Pousada. Revisitam a carreira cinematográfica de Meryl Streep, tecendo comparações entre a vida real e as vivências das diversas personagens da actriz no grande ecran, extraindo fascinantes e pertinentes reflexões acerca da vida, das decisões e escolhas que se fazem e das consequências da conduta humana.

A linguagem é bastante cuidada, porém acessível, e o romance contém parágrafos que nos fazem parar e pensar um pouco acerca de nós próprios e da nossa história de vida, convidando a uma salutar retrospecção.

Se inicialmente julgámos apenas ir encontrar uma história ligeira, a verdade é que encontramos bem mais do que isso. Trata-se de uma leitura de rara beleza e profundidade emocional e psicológica.

Recomendamos a quem goste de atentar em questões como:  os obstáculos inesperados que surgem na vida e a forma mais ou menos resiliente como decidimos enfrentá-los e a extrema relevância da vivência do mundo dos afectos, da amizade e da solidariedade, enquanto motores de uma existência plena de significado.

Surpreendente, sensível, elegante e emotivo.

Mia March é uma jovem autora cuja carreira promissora iremos acompanhar, e está de parabéns!

Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 estrelas



terça-feira, 19 de Agosto de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Sedução Perigosa", de Jess Michaels [Quinta Essência]



Autora: Jess Michaels

Edição: Maio de 2014


Páginas: 248

Género: Romance histórico Sensual/erótico


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


   Sedução Perigosa, de Jess Michaels, é um romance de fundo histórico, cuja acção decorre em Londres em 1919, e que faz parte integrante de uma série denominada "Irmãs Albright", embora possa ser lido em separado, apenas existindo referências a um casal já constituído em livro anterior da série.

  Jess Michaels traz-nos como protagonista Penelope Norman, uma jovem viúva magoada por um casamento por obrigação  e sem amor e que bastante a traumatizou [como era habitual na época histórica em apreço, devido a motivos económicos ou de ascensão na categorial social]. Contida, algo tímida e sem orientação familiar válida, sendo filha da antipática e interesseira Dorthea Albright [Viúva de Thomas Albright], a jovem ver-se-á, de modo algo inadvertido, elevada à categoria de defensora pública da moralidade entre as classes mais altas, uma vez que rejeita em absoluto a libertinagem assumida pelos nobres casados, que ostentam muitas vezes uma sexualidade pouco regrada, desrespeitando as esposas, e mantendo relações extra- conjugais.

  Na medida em que a sua atitude de defesa da moralidade é vista como ameaçadora da submissão desejada pelas famílias de ilustres nobres com tendências libertinas, num clube masculino de Londres, surge um arriscado plano conspiratório que poderá deitar por terra a honra e dignidade de Penelope Norman, pois o atrevido e sedutor Jeremy Vaughn, Duque de Kilgrath, é seleccionado para seduzir e comprometer a dama, de modo a que esta deixe de constituir um obstáculo à conduta licenciosa dos nobres.

   Jeremy aproxima-se da jovem e fá-la crer que pretende mudar a sua conduta habitual de libertino, mas acaba por a iludir de forma contraditória, mostrando-lhe os caminhos da sensualidade e da libertação sexual, que até ali eram encarada pela jovem como algo apenas perverso, errado e condenável perante as rígidas regras da moral vigente em termos públicos.

   Penelope, vai quebrando as defesas, e começa a descobrir em si mesma desejos, sensações e anseios que, até então, recusara a si mesma, e julgara mesmo ser impossível sentir, mas enfrenta uma dura luta interior ao nível psicológico, pois tem dificuldade em conjugar esta descoberta dos sentidos como algo natural e humano, com o seu entendimento bastante rígido dos princípios morais que defende publicamente.

   Gradualmente, Jeremy leva Penelope a visitar locais onde o prazer reina, e assume o papel de um fogoso amante secreto que visita a jovem durante a noite, levando-a a testar os seus limites, com o intuito de a dominar e chantagear ou controlar, a pedido do seu grupo de amigos libertinos.

 Penelope vive dividida entre o prazer físico e sensual que experimenta na presença do seu amante secreto, e o sofrimento psicológico que a dualidade que sente entre o modo como age, e os princípios que defende lhe causará.

 Jeremy, por sua vez, começa a sentir-se incomodado com o desenlace do plano por si concebido, e receia que Penelope esteja a despertar em si emoções que julgava impossível sentir, mas como irá sanar este conflito entre a amizade e lealdade masculinas, e uma proximidade e intimidade com uma mulher que já parecem ir bem além de um jogo de sedução encomendado com intenções obscuras?

 Num ritmo narrativo bastante acertado para a dimensão do romance, com uma linguagem bastante acessível, que não descura o meio social elevado e a época histórica em que a narrativa decorre, a autora consegue manter um clima de conspiração que apenas se resolve no final da trama, prendendo as leitoras à história.

 O romance contém diversas cenas de cariz explícito ao nível sexual, descritas com a sensibilidade, a ousadia e o detalhe a que autora já nos habituou, afirmando-se, de facto, como um dos nomes de relevo neste género literário bastante específico.

Conspiração, tensão, sensualidade ardente e uma heroína e um herói interessantes, que transportam consigo uma história pessoal, e que lutam por ultrapassar conflitos interiores,  estas são apenas algumas das razões que tornam este romance uma excelente escolha de leitura.

Recomendamos!

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas








sábado, 16 de Agosto de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Entrega-te ao Amor", de J. C. Reed [Presença]



Autora: J. C. Reed

Editora: Editorial Presença

Edição: Agosto de 2014

Páginas: 256

Género: Romance contemporâneo/erótico

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Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


   Entrega-te ao Amor, de J. C. Reed é um romance contemporâneo do género erótico.

   A linguagem é ligeira, acessível  e bastante coloquial, e o ritmo narrativo é bastante dinâmico, dando ao leitor a ideia de  estar a acompanhar, enquanto espectador privilegiado, a rotina quotidiana das personagens, de forma bastante descontraída.

  Os protagonistas deste romance são, respectivamente: a jovem Brooke Stewart, recém licenciada, a residir em Nova Iorque, e a trabalhar no sector imobiliário, partilhando residência com a sua melhor amiga Sylvie - uma rapariga de elevada condição social, a melhor aluna da turma nos tempos de estudante, e viciada em trabalho na área financeira, sendo também adepta de saídas nocturnas regadas a álcool.

   Brooke é determinada, trabalhadora e bastante teimosa, e traz consigo uma história familiar cujo conteúdo traumático leva a que se sinta resistente em relação a assumir compromissos sérios ao nível amoroso, estando envolvida numa relação aberta, mas acabando por, secretamente, acalentar a secreta esperança de ter finalmente encontrado Mr. Right.

  Jett Mayfield é um homem de negócios na casa dos trinta, belo, sexy, incrivelmente sedutor, irá tornar-se no novo patrão de Brooke, pela qual irá sentir uma inegável atracção física, em que irá ser correspondido,ainda que a medo. 

  Ambos irão ver-se enredados num relacionamento que alcançará um entendimento ao nível sexual, ambos assumindo que as emoções serão alheias a tal contexto. Mas as evidências apontam em sentido contrário, pois quando os dois protagonistas estão juntos, é quase visível a energia e a tensão sexuais que emanam dos seus corpos e que torna quase impossível, ou pelo menos muito difícil, que consigam concentrar-se no trabalho, na empresa imobiliária de renome pertencente à  poderosa família de Jett.

  O livro contém cenas de cariz sexual com descrições explícitas, mas mostrando-se devidamente contextualizadas, e que levam a que os leitores, inevitavelmente, torçam pelo sucesso de uma relação romântica em moldes mais tradicionais.

  Também Jett carrega sobre si mesmo o peso de um passado nem sempre fácil ao nível familiar, e que alguma forma condiciona alguma cautela e contenção emocional, cujas barreiras podem ser quebradas por Brooke.

   Sem dúvida, apesar de não ser muito extenso, é nítido o cuidado da autora em conferir às personagens alguma densidade ao nível psicológico, o que enriquece a narrativa.

   Nota máxima para os cenários onde decorre a história, que vão da agitada Nova Iorque, à belíssima mansão nas margens do Lago Como, em Itália, na região de Milão.

   Uma boa aposta da autora foi a inclusão de um componente de algum suspense, que leva o leitor a levantar inúmeras hipóteses acerca de que mistérios se escondem por detrás de arriscados negócios imobiliários.

   No terço final da trama, somos brindados com um twist surpreendente, e quando chegamos ao final da leitura, desejamos ter logo ali à mão os livros seguintes da série.  Uma boa aposta da Editorial Presença. seguindo as tendências actuais do mercado nacional.

  Uma excelente leitura para levarmos para a praia em tempo de férias, e mais uma autora cujo trabalho iremos seguir atentamente.

Classificação Atribuída o GoodReads: 4/5 Estrelas.

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Meu Único Amor", de Cheryl Holt [Quinta Essência]


Título: Meu Único Amor

Autora: Cheryl Holt

Editora: Quinta Essência [Grupo LeYa]

Edição: Agosto de 2014

Páginas: 392

Género: Romance Histórico Sensual/erótico

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Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


   Meu Único Amor, de Cheryl Holt é um romance histórico sensual que nos traz esta conhecida autora na sua melhor forma.

    Com cenário na Inglaterra do Século XIX, o livro coloca em confronto dois mundos sociais totalmente díspares - por um lado, duas mulheres que integram a camada mais marginal da sociedade - respectivamente,  Maggie Brown, a jovem bela e ingénua filha ilegítima de um Duque e de uma bela e conceituada Cortesã, entretanto falecida, e a sua amiga Anne Porter, uma Cortesã de meia idade, amiga fiel de Maggie e da sua falecida mãe; e Adam St. Clair - o rígido, pretensioso e tradicional Marquês de Belmont, um aristocrata a quem o título e a tradição exigem que encontre uma noiva adequada de acordo com os rígidos parâmetros da sociedade de então.

   O grande destaque em termos de narrativa é conferido a Maggie e Adam, mas é interessante acompanhar também a evolução do relacionamento do casal secundário de personagens constituído por Anne e James (o irmão de Adam, que não herdou o título principal, de acordo com as específicas regras do Direito Sucessório Britânico).

 Maggie é uma jovem sonhadora, romântica, mas que sente o peso do estigma social que é inerente ao seu nascimento - é filha ilegítima e não reconhecida sequer como bastarda do poderoso Harold Westmoreland - Duque de Roswell, tendo sido fruto de uma relação apaixonada da mãe - uma cortesã afamada e do nobre em questão. 

Maggie conhece Adam, sob falsa identidade, numa estância balnear,e entre os dois nasce um amor bastante intenso e idealista, a que se segue uma inevitável separação.

 Por ironia do destino, ambos irão reecontrar-se em Londres, ficando a descoberto as respectivas identidades, e nascendo entre ambos um relacionamento intensamente apaixonado e à margem da sociedade, mas que ostenta sobre si o peso de uma ruptura anunciada, que ocorrerá logo que Adam contraia matrimónio.

  Adam é um nobre que, apesar da sua elevadíssima posição social e financeira, vive infeliz e revoltado, quer pelo facto de sentir que deve sacrificar os seus sentimentos por Maggie, em prol das pesadas exigências do seu título e estatuto social e familiar, quer ainda porque retém bem presente na sua mente a imagem de uma família totalmente disfuncional, filho de um pai leviano, que encontrou um ambiente familiar mais acolhedor e apetecível em casa da amante, com a qual teve filhos ilegítimos, num contexto familiar estranhamente saudável, e de uma mãe amarga, ostensivamente preterida pelo marido, uma mãe fria, incapaz de transmitir aos filhos qualquer afecto, apenas assumindo uma atitude manipuladora e rígida, procurando impor sempre a  estes os seus próprios pontos de vista e ditando regras de conduta.

  Na verdade, é deveras evidente o intenso conflito interior travado por Adam, dividido entre o amor e a obrigação social. 

  Há momentos de elevada tensão dramática em que o protagonista masculino adopta comportamentos que raiam a crueldade, e será difícil que o mesmo venha a aceitar que tem direito a ser feliz, independentemente do que resulte de normas externas.

  Maggie desperta nas leitoras piedade e ternura, é uma mulher doce, leal, e muitíssimo resiliente. Lutadora, por vezes orgulhosa, e assumindo-se como uma verdadeira sobrevivente, tendo crescido num meio inóspito em termos sociais, mas onde, também num rasgo de ironia nunca lhe foram negados os cuidados e o amor maternos.

   Consideramos estar perante um dos melhores romances de Cheryl Holt lidos até ao momento, quer pela profundidade da caracterização das personagens, quer ainda pela inclusão de um detalhe bastante cuidado na descrição dos apertados crivos sociais da Inglaterra do Século XIX.

  Da sua leitura decorre uma boa panorâmica dos dois mundos em confronto que referimos no início desta crítica literária.

  A somar à já habitual sensualidade e romantismo que se mostram presentes nos romances desta autora, está presente nesta obra uma acrescida carga emocional, que leva as leitoras a percorrer e percepcionar um vasto leque de emoções. Paixão, empatia, frustração, drama e uma imensa intensidade dramática que acompanha a segunda metade do livro, são características a destacar. 

  Um romance que se revela apropriado a leitoras adeptas do género histórico sensual, mas que vai bem além do mesmo, pela riqueza de detalhe, pela envolvência, e pela forte tensão dramática que a autora tão bem soube conferir à narrativa.

  Será um livro certamente a manter na biblioteca e a reler futuramente!  

  Prepare-se para se perder num turbilhão emocional, e abstrair-se totalmente do mundo lá fora, enquanto estiver perdida entre as páginas deste romance intenso e verdadeiramente arrebatador.



  



terça-feira, 12 de Agosto de 2014

[Secção Criminal] " Invisível", de James Patterson com David Ellis [Topseller]


Título: Invisível

Autores: James Patterson com David Ellis

Editora: TOPSELLER [Grupo 20/20]

Páginas: 352

Preço: 17,49 €

Género. Thriller/policial

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Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


   Invisível, de James Patterson leva-nos a uma alucinante viagem pelos Estados Unidos, percorrendo a tortuosa mente de um perigoso Serial Killer, responsável por inúmeros incêndios, homicídios e cruéis mutilações inflingidas às vítimas, sempre sob a aparência de focos de incêndio acidentais e não de origem criminosa, que vão iludindo as autoridades, por todo o país.

  Uma mulher - Emma Dockery /Emmy - analista de informação do FBI, recentemente caída em desgraça estando suspensa pelo superior hierárquico - o arrogante, pretensioso e maldoso Julius Dickinson - pelo facto de ter resistido a avanços de natureza sexual, acredita obsessivamente estar à solta um inteligente e perigoso homicida em série, que se revela verdadeiramente invisível, cometendo os crimes sem deixar rasto, e deslocando-se por diversas regiões dos Estados Unidos, deixando atrás de si um rasto de extrema violência e morte.

   Emmy chora ainda a morte da sua irmã gémea - Marta - que acredita tenha sido vítima deste criminoso, mas à sua volta, e  enquanto tenta demonstrar argumentos válidos para dar início a uma investigação oficial a a ser conduzida pelo FBI em colaboração com as autoridades locais, apenas encontra fortes resistências e um enorme cepticismo, talvez também pelo facto de a sua imagem pessoal estar algo descredibilizada, por ter sofrido um trauma familiar recente com a trágica perda da irmã, e pela circunstância de o superior hierárquico ter dado da jovem uma imagem de desequilíbrio emocional e instabilidade.

   Persistente, e convicta da sua certeza, Emmy contará com o inusitado apoio de Harrison Bookman /Books um ex agente, e antigo noivo de Emmy, com quem a jovem recusara casar.  Books, embora céptico, acede a colaborar na investigação.

   Com um ritmo narrativo alucinante e intenso, que faz do livro um verdadeiro Page Turner, iremos acompanhar a equipa do FBI numa verdadeira caça ao homem, com os inerentes obstáculos da falta de meios e de colaboração plena das autoridades locais, e considerando-se também a verdadeira genialidade do assassino, que sempre julgou ficar impune.

   Uma linguagem apelativa, e descrições que resultam de pesquisa fidedigna e realista em termos de procedimentos processuais e legais aplicáveis na investigação criminal no âmbito do sistema judicial Norte Americano, este novo romance de Patterson lê-se como se estivéssemos a assistir a um thriller em versão de filme, e quem sabe, não será também futuramente adaptado ao cinema.

   Acção, Perigo, persistência, solidariedade, e uma descrição bastante crua e cruel do modus operandi do assassino, levam o leitor a suster a respiração até que chegue ao desenlace final.

   Se gosta de emoções fortes, e de um bom thriller de acção, com o bónus de um suave toque de romantismo que em nada prejudica a crueza da narrativa central, então, este é definitivamente o livro que não vai querer deixar de ler!

   James Patterson no seu melhor!

Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 estrelas



  

quarta-feira, 30 de Julho de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Vejo-te", de Irene Cao [Suma de Letras]



Título: Vejo-te [ # 1 Trilogia dos Sentidos]

Autora: Irene Cao

Tradutora: Fátima Alice Rocha

Editora: Suma de Letras [Grupo Objectiva]

Edição: Janeiro de 2014

Páginas: 304

Género: erótico

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

Vejo-te, de Irene Cao, é o primeiro volume de uma trilogia erótica apelidada de "Trilogia dos Sentidos", nome este que, e ainda que por ora, só a avaliar pelo primeiro livro, se revela bastante adequado.

Como protagonista da narrativa encontramos Elena Volpe, uma jovem Veneziana, formada em restauro e conservação de obras de arte, que iremos conhecer quando a mesma se encontra a realizar trabalhos de restauro de um fresco antigo, num belo palácio de Veneza, pertença do Conde Jacopo Brandolini. Elena mostra ser uma jovem moderna, tem uma vida social relativamente preenchida, quanto mais não seja, porque é arrastada para festas pela sua melhor amiga, a exuberante e sedutora Gaia.

Vivendo uma existência banal,digamos assim, Elena revela ser viciada no trabalho, e algo contida até mesmo um pouco tímida, e pouco habituada a estar no centro das atenções. Muitas vezes, apesar de ser bonita, quase passaria despercebida numa multidão.

A dado momento, surge um inquilino no Palácio de Brandolini - o Chef  Siciliano Leonardo Ferrante - uma verdadeira estrela do universo da alta cozinha, dono de uma beleza latina evidente, sedutor, misterioso, e capaz de transformar uma sessão de culinária num verdadeiro espectáculo elevado à condição de arte.

No momento em que parece estar a definir-se o início de uma possível relação amorosa séria e estável com Fillipo - amigo de Elena desde a Faculdade, Leonardo vai entrar na vida da Jovem, e abalar toda a sua estrutura emocional e psicológica, sentindo ambos uma estranha e evidente atracção física que levará Elena a libertar-se de regras de conduta que tinha como certas em termos sexuais.

Num verdadeiro turbilhão de sentidos a despertar, e conduzida pelas mãos hábeis de Leonardo, Elena vai descobrir em si mesma toda uma nova panóplia de desejos ocultos, emoções e sensações arrebatadoras, que irão mesmo levar a jovem a sentir-se uma nova mulher, mais desperta e aberta para o mundo, mais confiante em si mesma. Mas neste jogo existem riscos, irá Elena resistir a apaixonar-se por Leonardo? Irá Leonardo render-se à obsessão que o prende a Elena e esconderá algo mais profundo do que a mera lei do desejo carnal?

Os dados estão lançados, neste primeiro livro da trilogia.

Leonardo é um protagonista masculino fascinante, envolvente, magnético e extremamente misterioso, nada revelando de si mesmo, e dos profundos laços que o prendem à sua terra natal, a Sicília. Há uma aura de suspense à volta da personagem que nos faz ansiar por desvendar segredos.

A Cidade de Veneza, em todo o seu esplendor histórico e a sua beleza algo decadente surge também aos olhos do leitor como uma personagem adicional desta história, que nos fala de paixão, desejo, sexo, libertação, transgressão , mistério, amor e amizade, e de uma assumida explosão de sentidos.

O livro contém descrições de cariz sexual bastante explícitas e intensas, mas mostra-se escrito numa linguagem bastante madura, correcta aos níveis sintáctico e gramatical, e de uma forma que não chocará os leitores adeptos de um romance erótico. Existem também diversas passagens da obra que nos fazem reflectir acerca da própria natureza e alma humanas na sua essência, e que contêm algo de filosófico.

Para aguçar a leitura, deixo uma das muitas citações que poderia ter escolhido:

" Não há nada de inato ou instintivo no prazer: é preciso chegar lá devagar, saber conquistá-lo." - Leonardo Ferrante - pp. 186.

Uma agradável surpresa, e uma trilogia a seguir a par e passo, e cuja leitura recomendamos neste verão.